Bem-estar

Julho Amarelo

7 de julho de 2025

Atenção para a Hepatite B durante o tratamento quimioterápico

No mundo, mais de 240 milhões de pessoas são portadoras crônicas do vírus da hepatite B. É importante destacar que o tratamento quimioterápico pode ativar o vírus, especialmente em pacientes com tumores hematológicos, como linfomas e leucemias. Embora a ativação viral em tumores sólidos, como mama, pulmão e intestino, não seja tão bem documentada, é um fenômeno que merece atenção.

Os portadores crônicos do vírus da hepatite B são aquelas pessoas que tiveram contato com o vírus em algum momento de suas vidas. Essas pessoas não apresentam infecção ativa nem sintomas de hepatite, mas podem ser identificadas através de um exame de sangue que detecta a presença de anticorpos, como o anti Hbc total ou IgG.

A imunossupressão causada pela quimioterapia é a principal responsável pela reativação do vírus. Durante o tratamento, ocorre um aumento da replicação viral nas células do fígado, chamadas hepatócitos. Posteriormente, com a melhora da imunidade, pode ocorrer a destruição dos hepatócitos infectados, causando alterações nos exames laboratoriais que avaliam a função hepática. Em alguns casos, podem surgir sintomas clínicos de hepatite.

Um estudo revelou que 19% dos pacientes previamente expostos ao vírus da hepatite B e submetidos à quimioterapia experimentaram a ativação viral. Dentre as drogas mais frequentemente associadas a essa ativação estão antraciclinas, vincristina, etoposídeo, everolimus, metotrexato e anticorpos monoclonais, como o rituximabe.

Diante dessas informações, surge a questão: todos os pacientes que iniciarão o tratamento quimioterápico devem realizar os exames específicos? De acordo com dados de revisão da literatura, recomenda-se que os pacientes façam exames com pesquisa sorológica antes de iniciar a quimioterapia.

E quanto aos pacientes que já tiveram contato com o vírus da hepatite B, o que fazer? Nestes casos, pode ser recomendado o uso preventivo de antivirais, como entecavir ou tenofovir. Portanto, é fundamental manter um acompanhamento médico atualizado, com profissionais cientes das necessidades do paciente, a fim de evitar complicações durante o tratamento oncológico. Além disso, é importante ressaltar a relevância da vacinação como medida preventiva.

Fonte:
Dra. Cristiane Zanotelli
Hematologista | CRM 38.589

Dra. Daiane Weber
Hematologista | CRM 33.632

Hematoclin
(54) 3622-4655 / 99921-3830