Já é conhecido o mês de agosto pelas ações de conscientização do Agosto Dourado, mas para quem toma contato com este termo pela primeira vez, vamos lá: qual o seu significado e importância? A campanha assim é chamada por ser considerado o leite materno o alimento padrão ouro para os bebês e crianças dentro da primeira infância, sendo uma iniciativa global oficializada no Brasil por meio da Lei Federal nº 13.435/2017 (de 12 de abril de 2017), que instituiu o mês de agosto como o Mês do Aleitamento Materno no país, estando também alinhada às ações da Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) que ocorre anualmente de 1º a 7 de agosto.
Quais contribuições a Psicologia Perinatal nos oferece sobre este tema tão relevante? Vamos lá para alguns pontos chave de conhecimento e reflexão.
Amamentar é um exercício de desacelerar nosso ritmo e entrar em compasso com o ritmo do bebê e da sua natureza em pleno desenvolvimento. Experimentamos em nossa época a sensação de estarmos sempre em falta ou atrasadas em nossas tarefas cotidianas e quando se trata do puerpério e da rotina de tomar conta de um ser humano recém chegado neste mundo, nosso tempo, ritmo e prioridades precisam ser repensados; nos deparamos com o tempo do bebê que, por sua vez, está num ritmo natural próprio, onde haverá uma cronologia (que precisa ser respeitada) para seu amadurecimento fisiológico, neurológico, motor e sucessão de etapas próprias do desenvolvimento, que nos sinaliza atenção e dedicação dentro do novo existir em nossa vida familiar. Há tempo para o estabelecimento do vínculo emocional mãe/bebê, para a organização de uma rotina fundamental a todo desenvolvimento saudável da criança e a necessidade de um “caminhar sincronizado” desta dupla.
A amamentação estimula a libertação de ocitocina (o chamado “hormônio do amor”) tanto na mãe quanto no bebê, trazendo a ele bem-estar, aconchego e bases para o desenvolvimento de um apego seguro (conceito de John Bowlby que destacou a importância de um vínculo emocional estável e contínuo entre mãe e bebê para seu desenvolvimento saudável, conceito que embasa a relação afetiva construída na amamentação). Para a mãe, esta liberação promove o reforço de respostas emocionais positivas e empáticas e a redução do estresse; há inclusive pesquisas que mostram através de imagens de ressonância magnética, a ativação do sistema límbico, responsável por sensações de melhor controle emocional, motivação, ativação do sistema de recompensas e homeostase/equilíbrio interno do corpo). Este hormônio serve também como base fisiológica para o estabelecimento do vínculo emocional fundamental para toda saúde física e emocional do bebê e de bases de um bom cuidado materno.
Aumento da sensação de autoeficácia materna: mulheres que amamentam tendem a apresentar maior autoconfiança e sensação de eficácia ao envolver-se em suprir todas as necessidades do filho, reduzindo incidência de ansiedade e depressão durante o puerpério, impactando positivamente para a manutenção da saúde mental materna como um todo e refletindo no desenvolvimento da saúde mental do bebê. Também atualmente pesquisas mostram a associação da amamentação com a redução da incidência de depressão pós-parto.
Existe também uma resposta emocional ligada ao efeito calmante proporcionado pelos hormônios ocitocina e prolactina envolvidos no processo do aleitamento: uma regulação biológica natural com efeito direto no comportamento e reações emocionais, visto que somos seres integrais e que mecanismos e reações físicas e biológicas interagem e interferem no emocional e vice versa. Uma ligação direta com a regulação fisiológica da mãe (como redução da pressão arterial, menor resposta ao estresse) e benefícios ao bebê como redução da ansiedade, redução de batimentos cardíacos e sensibilidade à dor, e criação de base forte para um bom desenvolvimento cognitivo.
Assim, tanto Psicologia como outros ramos da ciência fornecem evidências suficientes de que o aleitamento materno é um processo rico e complexo que ultrapassa as fronteiras da nutrição. Serve como base para o desenvolvimento emocional do bebê, reforço e manutenção da saúde mental materna, fortalecimento de uma base segura para vínculos afetivos duradouros de curto a longo prazo.
Fonte: Luciane de Albuquerque Hörner
Psicóloga Clínica e Perinatal
CRP: 07/25451
(54) 99981-4313
Instagram: @psico_luciane_horner


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