Faltar à primeira sessão de psicoterapia é, na verdade, não comparecer a uma parte de um processo terapêutico que já começou: antes de tudo esta pessoa pensou inúmeras vezes em procurar um psicólogo (ou ouviu recomendações para tal), depois, entrou em contato para o agendamento, para, somente no terceiro momento – na hora marcada – não se fazer presente. Vontade e atitudes foram os primeiros passos, mas a sessão inicial não ocorreu por falta de persistência. O tempo me fez compreender que este tipo de falta não deve ser tratado unicamente como irresponsabilidade, devemos considerar que algo imprevisível pode ter de fato ocorrido. Também há uma parcela de ausências que podem ser atribuídas a fenômenos desconhecidos da pessoa, algum tipo de resistência inconsciente que dificulta o início do processo psicoterapêutico. Do ponto de vista psicanalítico, o conceito de resistência refere-se a processos inconscientes (manifestados de diversas maneiras) como forma de proteção ao “Eu” a ansiedades e angústias que são consideradas ameaçadoras e que surgem durante as sessões, onde serão motivos de análise. Porém, neste texto, quero chamar a atenção para as resistências conscientes, banais, em um processo de psicoterapia que nem começou e que impedem muitas pessoas de buscarem auxílio para sua saúde.
Se, ao caminharmos em uma calçada torcermos o pé e disto resultar em uma fratura, não hesitaremos em sermos socorridos e terminarmos o atendimento médico com um pé imobilizado, com uma lista de medicamentos e recomendações sobre como procedermos durante o período de repouso e recuperação. Contudo, com uma alma esfacelada em múltiplas fraturas teimamos em deixar para depois o tratamento psicológico de que necessitamos, postergando o momento da consulta ou, agendando e não comparecendo.
Quando alguém falta à primeira sessão de psicoterapia está sabotando a si mesmo e prejudicando o trabalho do psicólogo e a alguém mais que poderia utilizar o horário que lhe foi disponibilizado e não utilizado. O filósofo Sêneca, há dois mil anos, tinha a preocupação com o mau uso do tempo, algo que ninguém poderia obter de volta uma vez desperdiçado: “Não é que temos pouco tempo, é que desperdiçamos muito”, dizia. Na mesma linha, o ex presidente uruguaio Peppe Mujica (falecido recentemente) questionava sobre como “gastamos” nosso tempo; marca muito a sutileza da sua pergunta, pois poderia ser sobre o que fazemos do nosso tempo, como o utilizamos…. mas não, é objetivo ao perguntar sobre como o GASTAMOS! Isso remete a uma fatídica conclusão, a da obviedade de que o tempo se esvai, se desgasta!
Então, reflita ainda um pouco mais sobre se você está pronto a assumir qualquer compromisso, pode ser até mesmo o de uma simples promessa em ir ao shopping com o filho, a qual, uma vez assumida, deve acontecer. Sua vida mudará quando sua vontade for capaz de superar as dificuldades que surgirem, quando a persistência mostrar que este é o caminho da transformação, quando o respeito a si mesmo refletir no respeito ao próximo. Ao abandonar o medo do primeiro passo em direção ao seu Eu profundo na psicoterapia, pode ter certeza que estará dando um fim a um ciclo de incertezas e de inseguranças, promovendo uma grande e saudável mudança em sua vida. A vida é movimento, não fique aí parado.
Fonte: César A R de Oliveira
Psicólogo – WhatsApp (54) 99981-6455
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