Bem-estar

QUAL A QUALIDADE DE TEUS PENSAMENTOS?

1 de outubro de 2025

Viver mais e com saúde tem muito a ver com a forma de pensar

Não há surpresa alguma no fato de um médico cardiologista voltar sua atenção para avaliar as condições de saúde de uma pessoa a partir do coração, ao passo que um pneumologista o faria pela observação dos pulmões. Mas qual seria o foco principal para um psicólogo: estudar a mente? O comportamento? A personalidade? As relações sociais e familiares? Uma psicopatologia? É muito difícil encontrarmos uma resposta específica para um ser humano multifacetado. Sua saúde está associada ao funcionamento de seus membros e ao de seus órgãos e dos sistemas que os integram, ao mesmo tempo que tem relação também com aquilo que está fora de seu corpo: sua condição socioeconômica, cultural, às relações em família, no trabalho, na sociedade… há muita complexidade!

Agora, se considerarmos que o pensamento é a base de tudo pois, é a partir dele que imprimimos movimento ao corpo e às tomadas de decisões, perceberemos o quão importante é darmos atenção ao ato de pensar. Quando pensamos em comprar algo e impulsivamente o fazemos, logo em seguida pode vir o arrependimento e, junto, uma dívida capaz de durar meses para ser paga, nos tirando o sono, o bom humor, afetando a saúde e limitando-nos a outras realizações. Pensamos em sair de casa (algumas pessoas casam-se com este propósito, porém parte delas acaba arrependendo-se amargamente depois), em iniciar outros estudos, em ter filhos, em trocar de trabalho ou em empreender em algum negócio. Mas e os resultados? Sejam bons ou maus, uma coisa é certa, são os pensamentos que nos movem e nos levam às atitudes cujas consequências serão de nossa responsabilidade e teremos de arcar com isso.

A Dra Elizabeth Blackburn ganhou o prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina em 2009 graças as suas importantes pesquisas e descobertas relacionadas aos telômeros e telomerase, o que ainda hoje contribue muito para a saúde da população. Suscintamente, telômeros são estruturas repetitivas de DNA que ficam nas extremidades dos cromossomos (com a função de protegê-los), as quais, por um processo natural, vão desgastando-se e encurtando com o passar dos anos, diminuindo de tamanho. Quanto mais lento for este processo, maior nossa longevidade. Em sua pesquisa (juntamente com a psicóloga Elissa Epel) a Dra Elizabeth fez muitas descobertas (várias delas descritas no livro “O segredo está nos telômeros”), como a comprovação de que o estresse mental encurta os telômeros e mais do que isso, elas mostraram que o estresse é diretamente influenciado pelos nossos pensamentos. Sua pesquisa mostrou que somos capazes de produzir cerca de 65 mil pensamentos por dia, sendo que 90% desses pensamentos são repetições de outros já produzidos anteriormente. Isto quer dizer que temos o hábito de remoer e de ficarmos presos a pensamentos, hábito que faz muito mal à nossa saúde, pois o estresse decorrente gera muitas toxinas em nosso corpo. É preciso, pois, nos darmos conta sobre a qualidade de nossos pensamentos, sobre o que estamos pensando, uma vez que o pessimismo, o devaneio, a hostilidade para conosco gera um desequilíbrio emocional de tal intensidade capaz de nos fazer adoecer.

Por fim, as pesquisadoras sugerem que busquemos uma faixa vibratória de pensamentos mais saudáveis, o que é possível através de um pensamento resiliente, típico da conscienciosidade, característica de pessoas com alta organização, disciplina, responsabilidade e foco em objetivos, associado a comportamentos como planejamento e autocontrole. Pessoas com alta conscienciosidade são diligentes, organizadas e orientadas para o sucesso.

Quer atingir tal mudança? Comece por dar atenção aos seus pensamentos, a ser gentil consigo mesmo, a sorrir, praticar atividades físicas, ter bons hábitos, realizar um trabalho voluntário…. são tantas as opções saudáveis que a sugestão de sessões de psicoterapia não poderiam ficar de fora. Busque algumas que sejam possíveis de realizá-las e saiba, sua saúde agradece!

Fonte: César A R de Oliveira
Psicólogo
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