Bem-estar

Férias custam caro?

1 de julho de 2026

O que a economia diz sobre gastar com experiências


Poucas coisas despertam tanta expectativa quanto as férias. Seja uma viagem em família, alguns dias de descanso ou simplesmente a oportunidade de sair da rotina, esse período costuma estar associado a momentos de felicidade e bem-estar. E, embora muitas vezes não percebamos, as escolhas que fazemos nessa época também podem ser analisadas sob a ótica da economia.

Quando pensamos em consumo, normalmente imaginamos a compra de bens materiais, como roupas, eletrônicos ou móveis. No entanto, nas últimas décadas, economistas e pesquisadores passaram a observar um fenômeno diferente: o crescimento do chamado consumo de experiências. Em vez de gastar apenas para possuir algo, as pessoas passaram a investir mais em viagens, passeios, eventos e momentos compartilhados. Diferentemente de muitos bens materiais, que perdem valor ou despertam menos interesse com o passar do tempo, as experiências costumam permanecer na memória. Uma viagem não termina quando voltamos para casa. Ela continua nas fotografias, nas histórias contadas para amigos e familiares e nas lembranças construídas ao longo do caminho. Por isso, muitas vezes, uma experiência gera uma sensação de satisfação mais duradoura do que um objeto recém-comprado.

Existe, porém, um aspecto fundamental quando falamos sobre experiências: a forma como elas são financiadas. Toda escolha financeira envolve abrir mão de outra possibilidade de uso daquele recurso, e é justamente por isso que o planejamento se torna tão importante. Muitas pessoas passam meses escolhendo o destino da viagem, mas dedicam pouco tempo ao planejamento financeiro dela. O ideal é que a experiência seja construída antes mesmo de acontecer, por meio de uma reserva específica para esse objetivo. Guardar um valor mensal ao longo do ano permite viajar com mais tranquilidade e aproveitar cada momento sem a preocupação constante com o orçamento. Afinal, uma viagem deveria deixar lembranças, fotografias e histórias para contar — e não parcelas que continuam chegando muito depois do retorno para casa.

Outro ponto interessante é que as férias movimentam muito mais do que o orçamento das famílias. Restaurantes, hotéis, postos de combustível, atrações turísticas, transportadoras e pequenos negócios locais dependem diretamente desse aumento na circulação de pessoas. Em cidades menores, inclusive, o turismo e os eventos sazonais podem representar uma importante fonte de renda para empresas e trabalhadores, gerando impacto positivo na economia local.

Talvez a principal lição econômica das férias seja que nem todo gasto deve ser analisado apenas pelo retorno financeiro. Algumas despesas geram qualidade de vida, fortalecem relacionamentos e criam memórias que permanecem por muitos anos. O desafio está em equilibrar o desejo de viver experiências com a responsabilidade de financiá-las de forma consciente. Afinal, dinheiro também é uma ferramenta para construir bem-estar. E quando uma experiência é planejada com antecedência, ela costuma gerar apenas uma conta a pagar: a saudade dos bons momentos vividos.

Fonte: Priscila Battistella
Economista e Consultora Financeira
Instagram: @prihbattistella
www.prihbattistella.com