O ser humano é um ser social, isso é fato, e nós como integrantes da raça humana temos uma necessidade muito grande de conexão, de pertencimento e de aceitação. Você já deve ter visto, ou vivido, aquela situação em que alguém, por exemplo, seu chefe, te diz um bocado de elogios, e no final te dá “uma oportunidade de crescimento”. Eis uma coisa interessante: apesar de todos os elogios, a maioria de nós só consegue pensar naquela “oportunidade de crescimento”, e esse fato é muito importante. Quando a maioria das pessoas é perguntada sobre amor, elas tendem a falar de abandono, quando perguntadas sobre conexão, contam histórias sobre alienação, isolamento. Mas que fato é esse, que provoca este viesse de desconexão e dor? Bem, essa coisa chama-se vergonha. E vergonha é muito facilmente compreendida como o medo da desconexão. “Há algo sobre mim que, se outras pessoas souberem ou virem, fará que eu não mereça conexão.” Ninguém quer falar a respeito dela, e quanto menos você a discute, mais a tem.
O que sustentava essa vergonha? Esse “Não sou boa o suficiente,” esse sentimento que todos conhecemos: “Não sou X o suficiente. Não sou magra o suficiente, rica o suficiente, bonita o suficiente, inteligente o suficiente, promovida o suficiente.” A base disso, é uma VUL-NE-RA-BI-LI-DA-DE dilacerante.
Para que a conexão e o pertencimento aconteçam, temos que nos permitir ser vistos, realmente vistos. E a vergonha nos acerta bem aí! Pois a vergonha faz com que peguemos a nossa vulnerabilidade e a escondamos: “Ei! Vou te esconder bem aqui no fundo do meu peito, e ninguém verá que você existe!” A questão é que muitas pesquisas têm comprovado que a crença de que a vulnerabilidade é um problema e que deve ser evitada traz grandes prejuízos ao senso de pertencimento e aceitação.
Bom, mas e quando é que as pessoas que se sentem pertencentes e conectadas? Qual é o tema? Qual é o padrão de vida?
O que elas têm em comum é um senso de coragem. E quero diferenciar coragem e bravura. Coragem vem da palavra latina cor, que significa coração. Sua definição original era contar a história de quem você é com todo o seu coração. Então, essas pessoas tinham simplesmente, muita coragem de serem imperfeitas, elas tinham a compaixão de serem gentis consigo mesmas primeiro, e então com outros, porque acontece que não podemos praticar compaixão por outras pessoas, se não conseguimos nos tratar com gentileza. A última coisa é que elas têm conexão, e – essa é a parte difícil — como resultado da autenticidade, elas estão dispostas a abandonar quem pensavam que deveriam ser a fim de ser quem elas são, algo que você absolutamente tem que fazer para se conectar.
A outra coisa que elas têm em comum é isso: elas abraçam a vulnerabilidade completamente, elas acreditam que o que as tornava vulneráveis as tornava lindas. Elas falam que isso é necessário. Elas falam sobre a disponibilidade de dizer “eu te amo” primeiro, a disponibilidade de fazer algo quando não havia garantias, a disponibilidade de respirar enquanto esperavam o médico ligar depois de uma mamografia. Elas estão dispostas a investir em um relacionamento que poderia ou não funcionar.
Se eu pudesse deixar um pensamento para nós, hoje, seria:
Se nos deixarmos ser vistos, vistos profundamente como vulneráveis, e pudermos amar com todo nosso coração, mesmo que não haja garantia (eu sei que isso não é fácil), e praticar gratidão e alegria nos momentos de terror, apenas ser capaz de parar e, em vez de bloquear o que poderia acontecer dizer: “Sou apenas tão grata, porque sentir-se tão vulnerável significa que estou viva”.
Fonte: Ana Carolina da Cunha Fortes
Psicóloga – Humana Atendimento Psicológico
CRP 07/25508 – Telefone: (54) 9922-1041


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