Quando se fala em alimentação saudável infantil, as dicas e orientações geralmente se voltam para lanches e pratos nutritivos ou para táticas procurando fazer a criança comer melhor. Mas chamo sua atenção para a importância dos outros aspectos que determinam a relação da criança com a comida: hábitos, comportamentos, ambiente ou interação de pais e filhos, todos esses aspectos influenciam como a criança se relaciona com os alimentos. Essa reação muito provavelmente a acompanhará na vida adulta, daí a importância de construirmos uma conexão equilibrada com a comida.
A alimentação saudável infantil vai muito além dos nutrientes. Claro que é importante ampliar a oferta de alimentos de verdade e diminuir o consumo dos ultraprocessados. Mas vamos tentar enxergar um pouco além disso?
:: Alimentação saudável infantil: mensagem positiva
É muito importante que mães e pais tentem passar uma visão tranquila com relação ao corpo e à alimentação. Quando são muito obcecados com dietas ou com comidas supostamente saudáveis, acabam passando isso para os filhos mesmo que de forma inconsciente.
Outra coisa importante é falarmos de imagem corporal. Se a criança tem problemas de peso, é pior ficar ressaltando essa insatisfação com o corpo. Mude o foco para algo mais positivo. Em vez de falar para a criança que ela não pode comer alguns alimentos, ofereça opções de coisas gostosas caseiras. No lugar de dizer: “Você precisa se exercitar”, por que não fazer algo que torne a família toda ativa? Caminhada no parque, na rua ou na praia, uma academia em que cada um possa se matricular na atividade ou esporte que mais gosta (natação, esportes em geral, ioga, Pilates).
A partir do momento que todos adotam hábitos saudáveis, como uma alimentação de qualidade e uma vida ativa, a criança também se sente encorajada a fazer parte disso.
:: Família unida
O hábito de cozinhar é um grande aliado da alimentação saudável infantil, e, consequentemente, uma importante ferramenta de combate à obesidade. E a ciência comprova: uma pesquisa feita com mais de 100 mil crianças mostrou que refeições caseiras em família estão associadas a uma menor taxa de excesso de peso infantil.
Claro que alguns obstáculos impedem que as pessoas cozinhem mais hoje em dia: a falta de tempo é a principal. Mas é possível fazer coisas simples, em pouco tempo e sem grandes habilidades culinárias. Uma bela salada, bolos caseiros, um lanche gostoso, um macarrão ou arroz de forno incrementado com legumes diversos. E ainda mais importante do que cozinhar é o hábito de sentar juntos à mesa para comer. Ter refeições em família é algo valioso porque reforça os laços e cria uma rotina alimentar – que é um dos principais pilares da alimentação saudável infantil.
Inclua seus filhos nas decisões, nas escolhas: não adianta proibir alimentos, ele vai achar um jeito de comer. Por exemplo: na hora de montar a lancheira, conversem, façam acordos. Se colocar só o que você gostaria que ele comesse, ele vai acabar trocando comida com o coleguinha na escola ou, ainda, comendo escondido; o que pode ser um primeiro passo para um transtorno alimentar. Então tentem e, juntos, equilibrem as opções, sem excessos, mas também sem restrições difíceis de ser seguidas. Sempre respeitando a fome deles.
Por fim, a recomendação de ouro: uma alimentação saudável infantil não passa por dietas, remédios, restrições ou pular refeições para perder peso. Crianças estão em fase de crescimento e passar por privações pode comprometer muito a saúde. Evite o controle excessivo, dizendo que a criança tem que parar de comer ou, o contrário, tem de comer tudo. Os pais podem e devem oferecer variedade e alimentos de qualidade, mas a criança é dona de sua fome. Ela é capaz de decidir a quantidade que quer comer. Confie e respeite!
Fonte: www.sophiederam.com


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