O que podemos entender por jejum intermitente?
A estratégia de jejum intermitente consiste em um jejum programado não constante, pois varia entre períodos de jejum e períodos de ingestão alimentar. O planejamento do jejum pode variar desde: jejuar todos os dias, dias intercalados, jejuar a cada 3 dias, jejuar 1 vez por semana. O período de jejum pode durar 12, 16, 18 a até 24 horas, mas normalmente não se ultrapassam 24 horas em jejum e, mesmo assim, existe a necessidade de hidratação equilibrada e de uma ingestão alimentar que atinja em torno de 25% das calorias diárias recomendadas para cada indivíduo.
É recomendado para todas as pessoas?
Não é recomendado para a população em geral, até porque os estudos tem mostrado eficiência do jejum intermitente na população obesa com comorbidades associadas (dislipidemia, hipertensão, resistência insulínica, marcadores inflamatórios elevados), já em indivíduos com peso normal ou mesmo indivíduos com sobrepeso, os efeitos de oxidação de gordura não encontraram a mesma resposta. Aos indivíduos praticantes de esportes e de exercícios físicos regulares o jejum intermitente pode levar à fadiga precoce, entretanto aos obesos, a soma do jejum com os exercícios, a queima de gordura corporal foi expressivamente satisfatória.
Vale destacar que os dados das pesquisas são realizados em grupos pequenos de pessoas, em períodos pequenos de seguimento da dieta. Extrapolar esses dados em amostras maiores de indivíduos, por períodos maiores, teríamos resultados mais palpáveis.
O que observar antes de aderir?
Quando alguém está disposto a aderir a essa dieta é essencial já estar em tratamento nutricional e médico, uma vez que a estratégia do jejum intermitente pode levar à intensa dor de cabeça, irritabilidade e tontura, o que pode ser amenizado quando o paciente já está em cuidado nutricional.
Outro fator é realizar o tratamento corretamente, para assim ter o resultado esperado, pois há pessoas que tentam realizar por conta e não sabem fazer corretamente, consequentemente, sofrem mais pelos sintomas adversos e não ocorre uma melhora significativa na redução de gordura corporal e na melhora das comorbidades associadas.
Existem riscos para a saúde? Quais?
Quando a pessoa realiza o jejum intermitente sem acompanhamento dos níveis séricos (sangue) de marcadores inflamatórios e de nutrientes ou que não tenha uma dieta balanceada, ricos em antioxidantes (componentes presente nos alimentos que promovem proteção ao nosso organismo), o risco fica eminente, uma vez que a pessoa que vai realizar o jejum sofrerá com o aumento da presença dos radicais livres no organismo e de malondialdeído e proteínas carboniladas. Tais radicais livres são elevados no organismo devido ao aperfeiçoamento da capacidade respiratória da mitocôndria no fígado.
Como funciona a dieta de emagrecimento?
A dieta para emagrecimento, a meu ver, não deve ser considerada “dieta”, precisa ser considerada e aplicada como “plano alimentar individual”, ou seja, deve ser incorporada a um estilo de vida saudável, assim as mudanças propostas pelo nutricionista que deverão ser incorporadas a fim de promover e sustentar a perda de peso em longo prazo, tanto sem o efeito de reganho de peso e de gordura corporal, quanto sem promover agravos à saúde do paciente.
O plano alimentar individual precisa ter um cuidado global sobre o indivíduo. Inicialmente reduzir os alimentos deletérios à saúde do paciente e buscar já tratar os sintomas mais alarmantes, seja ácido úrico elevado ou sintoma de gastrite. E, claro, iniciar já a redução de gordura corporal, com controle além de calórico, também de alimentos inflamatórios a saúde.
A busca por emagrecimento deve ser cautelosa e responsável, sempre com ajuda de profissionais (nutricionistas, médicos, psicólogos, fisioterapeutas e educadores físicos), tendo em vista a melhora real do paciente, o que infelizmente em dietas de moda e estratégias radicais não sustentam o peso perdido e ainda geram o sentimento de frustração.
Fonte: Marina da Silva Pereira – Nutricionista – CRN 2 9938 – (54) 3314-4864

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