Antes de qualquer coisa, comecemos por definir adolescência. A adolescência é uma passagem obrigatória delicada, atormentada, mas igualmente criativa, que vai do fim da infância ao limiar da maturidade. Um adolescente é um menino ou menina que cessa gradativamente de ser uma criança e ruma com dificuldade para o adulto que virá a ser.
Atualmente, o jovem é um ser conturbado que, sucessivamente, corre alegre à frente da vida e para de repente, arrasado, desesperançado, para deslanchar novamente. Tudo nele é contraste e contradição. Ele, o adolescente, pode ser tanto agitado quanto indolente, eufórico e taciturno, revoltado e conformista, intransigente e esclarecido; num certo momento, entusiasta e, bruscamente, apático e deprimido. Geralmente é muito individualista e exibe um orgulho destemido, ou, ao contrário, não se ama, sente-se insignificante e desconfia de tudo.
Aos pais, manifesta sentimentos, que são o oposto dos que sente realmente por eles: despreza-os e grita-lhes seu ódio, ao passo que a criança que subsiste no fundo dele mesmo, ama-os ternamente. É capaz de ridicularizar o pai em público, enquanto sente orgulho e o inveja em segredo. Tais reviravoltas de humor e atitude, tão frequentes e bruscas, seriam percebidas como anormais em qualquer outra época da vida. No entanto, na adolescência, nada mais normal.
É um jovem com dificuldade para exprimir com palavras seu mal-estar. Ele não sabe ou não consegue verbalizar o sofrimento difuso, que o invade, cabendo a nós adultos, soprar-lhes as palavras que lhe faltam, traduzir-lhes o mal-estar que ele sente e que teria manifestado por si só, se soubesse, ou seja, o adolescente nem sempre sabe falar o que sente, porque não sabe identificar corretamente o que sente.
Podemos dizer então, que o adolescente não fala, não é porque não quer comunicar-se, é porque não sabe perceber o que vive no interior de si mesmo. Dessa forma, é levado a agir mais do que falar, e seu mal-estar traduz-se mais em atos do que em palavras. Durante essa fase, é importante os pais saberem esperar: o melhor remédio para acalmar o jovem difícil de administrar é o tempo. Pense que cedo ou tarde, os aborrecimentos causados pelo comportamento de seu filho cessarão. Saber relativizar: o adolescente precisa saber que você, pai, não perdeu a confiança nele e que continua a acreditar que, aconteça o que acontecer, ele será melhor do que é hoje, ou seja, que ele saiba separar a pessoa de seus atos, pois o pai pode condenar um comportamento condenável, sem com isso renegar seu amor de pai. Saber negociar: é preciso saber proibir e castigar, mas também firmar compromissos com o jovem. Se o adolescente comete um desvio de conduta (por exemplo, voltar a uma hora tardia bêbado ou cheirando maconha), não reaja impulsivamente na hora. Espere o dia seguinte para conversar com ele e mostre-se firme, mas aberto ao diálogo. Seu filho, espera que você desempenhe o papel de adulto protetor, que não hesita em fixar limites quando necessário. Saber não comparar: quando o repreender, nunca o compare.
Pais, sua atitude perante o adolescente é frequentemente estimulada por seus sonhos, acerca do que ele deveria ser. Seja realista e ame-o como ele é. Na verdade, os pais de um adolescente devem assumir duas perdas: a perda da sua criancinha que cresceu, e a perda de sua ilusão de um adolescente ideal, seguro, sem grandes dificuldades escolares, amando a família e seus valores. Muitas vezes essa expectativa é percebida pelo adolescente como uma exigência esmagadora.
Se está muito difícil, lidar com essa fase, não hesite em procurar, ajuda psicológica, para o adolescente (se ele aceitar) ou para você mesmo, pais.
Fonte: Zulmira Regina Puerari Pan – Psicóloga Clínica – CRP 07/21386 – (54) 3045-3223

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