Estilo de Vida

A geração YouTube e o pensamento crítico

14 de novembro de 2019

Instagram. YouTube. Facebook. Whatsapp. Google. Quem não tem ou não usa, que atire a primeira pedra. Hoje, eles constituem os principais meios de comunicação, de propagação de informações e, principalmente, de expressão de opiniões. Qual seria então, a influência deles na constituição do pensamento crítico?

Vivemos em uma época em que o imediatismo impera. A máxima “tudo ao mesmo tempo, agora” nunca esteve tão próxima de nossa realidade. É só observar: a dificuldade em suportar a espera de respostas do Whats ou em uma fila, a quantidade de crianças com diagnóstico de falta de concentração, porque é difícil manter-se fixado em uma tarefa até o final, os relacionamentos que terminam tão rápido quanto iniciam e a esses podemos associar diversos outros exemplos. Não poderia ser diferente então, com relação ao processo de construção de pensamentos críticos, pois eles demandam uma ação muito rara hoje em dia: a introspecção.

Para que se possa construir uma opinião, que seja transformadora ou, ao menos, embasada, é necessário parar para refletir, investir energia na busca de respostas e ser capaz de suportar a frustração ao encontrar mais perguntas nesse processo todo e, inclusive, de passar a compreender que não há como saber tudo, ainda mais de forma rápida. O que podemos perceber é que as pessoas reproduzem as informações que recebem sem ao menos se questionar se elas são verídicas ou não. Não se faz uma pergunta sequer sobre o que é repassado. A informação é tomada como verdade absoluta e, como resultado, vemos o discurso de ódio sendo compartilhado em massa.

E agora? O problema seria com os aplicativos ou com o modo como nos relacionamos com eles? De forma alguma, esse texto de opinião (construída até então por meio de estudos, enigmas e de observação na prática) quer ir contra aos aplicativos. A intenção é de provocar o pensar a respeito do que estamos fazendo com esses instrumentos e o porquê de esse fenômeno acontecer.

A capacidade crítica é construída desde a infância, por ser nessa etapa que se iniciam os primeiros enigmas: de onde vem os bebês? E se ensaiam as primeiras respostas, que chamamos de teorias infantis. Como, nós, os adultos, lidamos com isso, é que fará toda a diferença. Poder ajudar a criança a suportar as frustrações, o não saber, a espera, bem como mostrar o caminho da cultura, da literatura, do teatro e da música, que são tão ricos, mas tão desvalorizados, é o que vai possibilitar às crianças a abertura para uma vida de descobertas e criações. O pensar é constitutivo, ou seja, necessita de um adulto que possa ofertar recursos para tal, sem isso, a criança fica presa no vazio que as respostas imediatas trazem. Para que buscar, se tenho tudo?

Não custa lembrar: os aplicativos são meios, o que interessa mesmo é quem está por trás deles.

Fonte: Jéssica Padovani – Psicóloga CRP 07/23694 – (54) 99604-9264