Quem nunca reclamou de dor de cabeça, dor nas costas ou na perna. Isso é algo normal, quando passa em poucos dias. O problema é quando os remédios não fazem mais efeito e essa dor passa a fazer parte do cotidiano e a qualidade de vida deixa de existir.
Para tentar mudar um pouco essa realidade (apesar de, em muitos casos, não haver cura) novas técnicas de tratamento estão sendo aplicadas. Uma delas é o implante de um neuroestimulador medular (SCS, Spinal Cord Stimulation). Não é uma técnica nova, pois já é utilizada há vários anos mundo afora. O que é novidade é a nova tecnologia empregada nesses novos geradores e também a necessidade de expandir o conhecimento, pois essa opção terapêutica não é muito conhecida do público.
A indicação desse procedimento é para pacientes que apresentam dor neuropática, como a que ocorre na hérnia de disco, se há permanência da dor após cirurgia de coluna e nas chamadas dores mistas, como na angina cardíaca. A função do neuroestimulador é de criar um bloqueio da dor por meio do mecanismo gate control, ou seja, o implante cria um estímulo como se fosse um formigamento, ou pressão, que faz com que a dor seja mascarada.
Essa técnica é utilizada no momento em que ocorre falha no tratamento clínico com medicação e fisioterapia e é indicada quando não há uma causa cirúrgica específica que necessite ser corrigida, como estenose do canal lombar ou tumor medular. Os benefícios são por que se pode estabelecer várias programações por meio um tablet, sem ser necessário intervir no paciente. Como a comunicação é on-line, assim, é possível realizar várias alterações para que o paciente possa escolher a que melhor se adapte a cada situação.
A técnica, de forma geral, é utilizada em pacientes com dor crônica do tipo neuropática ou dor mista. Para outros tipos de dor, como a oncológica, existe a possibilidade da implantação de bomba de infusão. Esse aparelho é implantado sob a pele do abdômen e conectado a um cateter, que libera a medicação direto na medula do paciente. Os resultados são muito bons e o paciente é mantido com uma dose, que pode ser até 300 vezes menor do que a utilizada pela via oral. Uma outra opção é a utilização do DBS (Deep Brain Stimulation ou estimulador cerebral profundo). Nesse caso, é colocado um cateter dentro do cérebro e um gerador é implantado no tórax do paciente.
Para combater a dor ainda há pesquisas em desenvolvimento, embora para a doença de Parkinson essa terapia já é utilizada há vários anos, e com resultados excelentes. A técnica também pode ser utilizada no controle da discinesia (movimentos anormais dos membros ou tronco) e em caso de tremor essencial intratável. Vale lembrar que na doença de Parkinson essa técnica não é utilizada como último recurso, e, sim, quando começa a ocorrer falha no controle adequado dos sintomas ou seus efeitos colaterais, sendo utilizada com melhores resultados em pessoas abaixo dos 70 anos de idade e com mais de quatro anos de doença.
Fonte: Dr. Diego Cassol Dozza – Neurocirurgião – CRM 27281 – (54) 3622-2989


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