Bem-estar

O isolamento social é opcional

15 de abril de 2020

Enquanto escrevo este texto (falta uma semana para encerrar o mês de março) estamos nos primeiros dias de medidas ditas de isolamento social, cuja orientação mais ouvida é a de que devemos permanecer em casa. Ocorre que, absurdamente, algumas pessoas negam a realidade em um faz de conta de que esteja tudo bem. Uma enxurrada de mensagens confunde a mente de quem as lê: em um momento fortes argumentos e dados estatísticos apontam para o caos de uma pandemia, em outro, minimizam, banalizando o vírus e as recomendações das autoridades.

Já não é possível acreditar na veracidade de uma informação; a infantil bipolaridade política que há tempos assola o País enaltece o partido X e acusa o partido Y, teorias conspiratórias das mais estapafúrdias atribuem a um povo a criação do vírus com o propósito de obter vantagens econômicas e de poder. E como sobreviver psicologicamente em meio a isso tudo?

Algo nunca antes visto nessa proporção muda radicalmente nossas vidas: somos impedidos de ir ao trabalho, de visitar nossos pais e avós, de nos cumprimentarmos até mesmo com a formalidade de um aperto de mão (nem se cogita mais um abraço afetuoso ou beijos de cumprimentos) e, pasmem, gaúchos de todas as querências: até aquele chimarrão que encontramos na oficina, no escritório, na casa de um amigo não é mais recomendado. As ruas esvaziaram, bares, restaurantes, shoppings, tudo fechado, apenas serviços essenciais movimentam-se entre um ou outro ponto da cidade. Não temos mais como fugir de um encontro com o nosso Eu.

Se, por um lado, passamos anos a fio dizendo estarmos em uma correria, pretextando nossas omissões unicamente por falta de tempo, agora tempo é o que nos sobra. E é aí que mora o perigo: a esta reclusão forçada deram o nome de isolamento social. Mas eu sempre ouvi dizer que o homem é um ser gregário, que foi por viver em grupos é que a sociedade foi desenvolvida e, agora, querem que eu me isole?

É preciso, neste momento de reflexão, que analisemos nossas relações ditas sociais. Por onde andou a vontade que tenho agora de estar na casa de meus pais? A de brincar com meus filhos? A de valorizar a natureza e/ou de sair caminhar? A vontade de viver?

Do que tenho lido nesses dias há uma unanimidade: passado o momento crítico, sairemos diferentes. Que essa diferença seja para melhor, que sejamos mais humanos, mais preocupados com o próximo, mais conscientes de que ao contrário de um isolamento, o que precisamos é de envolvimento social. Uma grande alma disse em uma ocasião Só é solitário quem não é solidário”. Findo o período crítico, a escolha por nos manter solitários é unicamente nossa.

Fonte: César A R de Oliveira – Psicólogo – WhatsApp (54) 99981-6455

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