Observando o pânico de alguns e a indiferença de outros com a mazela que assola nossos dias, quero escrever sobre o que podemos encontrar de bom em meio a todas as dificuldades e tristezas noticiadas. Falo das incontáveis correntes de solidariedade nunca antes vista e que têm acontecido em todas as partes do mundo, tanto daquelas de doações milionárias quanto às modestas contribuições de pessoas que, às vezes, têm pouco até para si mesmo. Noticiam-se as entregas de donativos, os grupos de voluntários que prestam algum tipo de serviço de extrema necessidade ou mesmo as orações e correntes positivas daqueles que têm, na sua fé, a única forma (e não menos válida) de poder colaborar nesse momento.
Para que serve tudo isso? Para podermos constatar o que muitas pessoas já perceberam: ainda há amor no coração humano. Todavia, cabe aqui a dúvida sobre onde estava esse amor antes da notificação da pandemia.
Recentemente, li um livro que trazia por mensagem uma pergunta feita a um sábio: “Dize-nos, o que é o amor?”. A resposta, muito sucinta, “Nós somos o amor”. Podemos contextualizar, dizendo que algumas pessoas que amam conseguiram encontrar várias oportunidades em meio ao momento pandêmico para amar. Mas, nesse momento, quando nos sentimos tocados e, de alguma forma, passamos a ser solidários, devemos estar atentos e refletir sobre a qual sentimento estamos servindo. Por compaixão ou culpa? Por nos sentirmos tristes diante do sofrimento dos outros? Por negociação com a vida (olha, estou ajudando, então quero um dia ser retribuído, não esquece!). Não interessa, o que importa é que temos a capacidade altruística de darmos um pouco de nós mesmos, então, que seja por amor.
Reporto-me ao pensamento escrito há mais de 40 anos pela educadora Cecília Rocha, que do alto dos seus 93 anos de idade já nos levava à reflexão muito válida para este momento: “O sofrimento parece ser, ainda, o único processo capaz de nos levar às modificações no sentido do Bem e do Amor. As dores coletivas provocadas pelas guerras, pela orfandade, pela fome, pela doença, pelo desamor e pelo egoísmo, pela indiferença e pela ganância, constituem, por vezes, os únicos recursos capazes de nos despertar para as transformações indispensáveis ao nosso progresso […]”. Ela não escreveu isso por adivinhar o futuro, mas por constatar as inúmeras cabeçadas que damos na vida por não sabermos amar. Está mais do que na hora de aprendermos a viver pela lei do amor.
Assim, há que se propor um exercício de reflexão, o de que é sempre melhor estar na condição daquele que pode dar do que na daquele que precisa receber. Há uma troca de alegrias na solidariedade — não interessa de que lado estejamos — onde somos contagiados ante tanta felicidade! É a ação do amor.
Fonte: César A R de Oliveira – Psicólogo – WhatsApp 99981-6455
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