Bem-estar

Anemia e gestação

13 de julho de 2020

O que é anemia?

Anemia é uma redução na produção dos nossos glóbulos vermelhos (hemácias), que são as células do sangue responsáveis por armazenar, transportar e liberar o oxigênio aos tecidos no nosso organismo. A anemia constitui um problema global de saúde pública, afetando cerca de um quarto da população mundial.

Quais são os sintomas?

Os sintomas são decorrentes da falta de oxigênio nos mais variados órgãos e tecidos, ocasionando fraqueza, cansaço, sonolência, palpitações (aceleração do coração) ou falta de ar, de acordo com o grau da anemia – quanto maior o grau, mais pronunciados são os sintomas.

Quais são as causas?

A anemia tem etiologia multifatorial: alterações genéticas (hemoglobinopatias como as talassemias), deficiência de ingestão de vitaminas (ferro, vitamina B12, ácido fólico) ou alteração de absorção. Á ainda a anemia relacionada a outras doenças pré-existentes ou mesmo relacionada à gestação. Em 2011, a Organização Mundial da Saúde estimou uma prevalência de anemia gestacional de 38%. Assim, é recomendado atualmente que se realize o rastreio de anemia em todas as gestantes.

O que acontece na gestação?

Fisiologicamente, na gravidez, ocorre aumento de cerca de 35% da massa eritrocitária e aumento de 40% a 50% do volume plasmático. Tal situação faz com que tenhamos diluição sanguínea e, consequentemente, uma diminuição fisiológica da hemoglobina e do hematócrito (glóbulos vermelhos). Além disso, ocorre também um aumento progressivo das necessidades de ferro durante os segundo e terceiro trimestres de gravidez, promovido pelo desenvolvimento do bebê. A anemia é definida pela hemoglobina abaixo de 11g/dL na gestação, podendo ter várias causas, sendo a falta de ferro a principal.

Sempre ocorre anemia na gestação? 

Não. Mas ela é muito comum. Normalmente, o desenvolvimento do feto não é prejudicado, já que a placenta é responsável pelo transporte ativo de ferro ao bebê em crescimento e desenvolvimento. Quando a anemia é severa, com níveis de hemoglobina muito baixo (< 7g/dL), podemos ter comprometimento do bem-estar fetal, com complicações, como parto prematuro, restrição de crescimento e até morte fetal. A incidência desses acontecimentos é maior quanto mais precoce for a idade gestacional de instalação da anemia. Algumas entidades recomendam a suplementação de ferro universal para todas as gestantes (mesmo sem anemia). No entanto, isso não é um consenso, sendo essencial o acompanhamento clínico e laboratorial.

Como é feito o diagnóstico?

Exames de sangue simples como o hemograma com dosagem de ferritina e outras vitaminas no geral são suficientes para indicarmos a causa da anemia. A dosagem de ferritina normalmente é solicitada como rotina no pré-natal.

Como é feito o tratamento? Em casos de anemia, o médico hematologista é o profissional mais indicado para acompanhamento conjunto dessas pacientes. O tratamento normalmente é feito com suplementação de ferro (ou outras vitaminas) por via oral. Casos de anemia moderada podem necessitar suplementação de ferro via parenteral (na veia) e, casos severos, podem precisar de transfusão de sangue. Converse com seu médico e esclareça as dúvidas. O acompanhamento é essencial para o tratamento correto.

Fonte:
Dra. Cristiane Zanotelli
Hematologista – CRM 38.589

Dra. Daiane Weber
Hematologista – CRM 33.632

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