Bem-estar

Quando a separação conjugal torna-se uma dor necessária

12 de novembro de 2020

Na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença ou o até que a morte os separe muitas vezes perde o sentido, torna-se uma promessa impossível de se fazer cumprir. Mas como saber que o prazo de validade do casamento expirou?

Com certeza a decisão de romper um casamento é indiscutivelmente uma decisão difícil, pois ao contrário do que às vezes se pensa, não significa apenas cortar laços com o par conjugal, mas reorganizar todas as relações antes organizadas pela dinâmica da vida a dois.

É importante lembrar que todo casamento exige um investimento constante, as dificuldades e os desequilíbrios são extremamente comuns dentro do ciclo de vida do casal, como chegada dos filhos, o desemprego, as mortes inesperadas de pessoas especiais entre outras tantas situações.

Contudo, quando exige disponibilidade bilateral da díade conjugal em reestabelecer esse equilíbrio, tudo fica mais fácil, pois os dois, apesar das dificuldades, possuem interesse comum de superar as adversidades e manter aceso o desejo de uma vida compartilhada e feliz.

Por outro lado, existem sinais de que podem evidenciar que o nível de investimento disponível para salvar esta relação já acabou ou está muito aquém do desejado. Sob essas circunstâncias, é necessário que o casal consiga aceitar que a separação é a melhor e, por vezes, a única alternativa de se reconectar consigo mesmo ou com o tão desejado estado de felicidade.

Ao identificar que sua escuta ou de seu par conjugal tornou-se indiferente, quando as brigas passam a ser esmagadoras e com capacidade de desqualificar seu parceiro quase que em sua totalidade, um alerta de cuidado deve ser acionado. Quando o comportamento ranzinza, tomado de críticas e desprezo pelo outro passa a ser rotina na relação, algo de muito equivocado está acontecendo e, por vezes, o fim da relação é o único caminho a ser trilhado.

Assumir que o casamento chegou ao fim é extremamente difícil. A dor da separação para grande maioria consiste em um processo de decomposição lento e doloroso. É brutal ver-se morrendo no psiquismo do outro e ver o outro morrer dentro de nós. São muitas as batalhas a serem enfrentas após essa decisão. Entender que existem etapas nesse processo pode facilitar a aceitação e manejo de cada uma delas de maneira menos sofrida

1ª separação emocional: perceber o esfriamento progressivo, mesmo que você se volte para o outro, ele não está mais lá. É comum se perguntar “onde eu errei?

2ª separação física: qualquer contato físico torna-se intolerável, é a morte do desejo pelo outro (dormir no sofá ou no quarto das crianças é um alento).

3ª separação geográfica: a saída de casa, quando um faz as malas e muitas vezes sente toda sua vida ali contida.

4ª separação familiar: quando os parentes são comunicados que o ponto final chegou e não existe chance de voltar.

5ª separação social: momento de realinhar as amizades e momentos de lazer.

6ª separação legal: partilha dos bens. Para alguns, a última esperança de uma reconciliação, para outros, o momento da vingança.

Diante dessas questões é possível perceber o quanto desafiador e complexo é enfrentar um processo de separação e, sem dúvida, sequelas são inevitáveis. Novos desafios são lançados, a separação implica na tomada de decisões práticas, como organizar recursos econômicos, realinhar funções de pai e mãe, guarda, pensão e visitas quando a função parental se faz presente.

Não é uma tarefa simples, mas deve ser encarada como uma oportunidade de começar uma nova etapa escrita por você, onde alguns comportamentos podem ajudar: aceitar a dor da perda, pois ela é real e precisa ser sentida é a prova que se continua vivo e que se é capaz de reagir. Embora não pareça, o processo de cura tem começo, meio e fim.

Respeite seu sofrimento, tendo clareza que quanto maior a perda, maior o tempo para se reestabelecer, mas que você vai superar, independente das situações difíceis a que se é submetido. Porém, se como casal, ainda existir o desejo de manter o relacionamento, procurem juntos a terapia de casal, que pode ser considerada como uma forma de acolhimento, em um ambiente neutro, onde o casal pode expor suas questões, desabafar e construir saídas para as dificuldades e impasses. Aquelas longas conversas, que comumente acabam em brigas e acusações, são facilitadas por meio da psicoterapia, inclusive na decisão de findar um relacionamento que esgotou as chances de continuar indo na mesma direção.

E se isso realmente acontecer, lembre-se da importância de manter o autocuidado, o descanso, as horas de sono equilibradas, a alimentação saudável e, o principal, não se isole da vida, pois ela continua aí te esperando para ser feliz, com ou sem um par.

Fonte:
Angela de Souza Garbin
Psicóloga
CRP 07/20522
(54) 99191-6694