A adolescência é uma fase repleta de características próprias, um “tsunami” de transformações, tanto físicas, hormonais, como psíquicas, que acometem a vida do adolescente em um nível de intensidade bastante elevado.
Seu mundo emocional encontra-se virado de ponta cabeça, e os adolescentes buscam encontrar uma maneira para que esse momento turbulento possa ser compreendido e elaborado por eles.
Uma forma bastante simbólica de dar um escoamento a essa onda emocional é no seu próprio quarto. O quarto para os adolescentes representa seu mundo interno, a bagunça externa do seu quarto reflete como estão seus sentimentos e emoções. Uma bagunça bastante significativa representada pelas roupas sujas nos cantos, a escrivaninha onde não se consegue discriminar o que são lápis, acessórios, roupas e pratos com restos de comida. Um caos só. Porém, um caos necessário e muito legítimo para este momento.
Os adolescentes encontram-se em pleno processo de aquisição de identidade, valores e pensamentos próprios. E isso tudo gera um grande tumulto interno. Pois são pensamentos que estão em desenvolvimento que ainda não compreendem um sentido integrado. Isso gera muita bagunça material e mental e um quê de desconforto. A preguiça adolescente nessas horas entra em cena e toma conta. Grande parte da sua energia, fica restrita a esses processos de pensamentos que estão em constante transformação.
Dessa forma, observamos que não se trata de uma preguiça por preguiça, mas, sim, de um grande processo interno que está em pleno movimento. E o que menos falta na vida dos adolescentes são movimentos, sejam eles impulsivos, inquietantes, atrapalhados, desengonçados. Por conta disso, surge a preguiça como uma forma de contestar o que está sendo estabelecido, pois todas as exigências são vistas por eles como chatas e insensatas. E me perdoem os pais, mas, ainda bem que o adolescente que mora na sua casa está em constante inquietação, isso é sinônimo de vida, e um adolescente que passe por essa fase ileso disso, muitas vezes não encontra essa via de expressão para elaborar este momento tão único e importante do seu desenvolvimento. Não estamos falando em total conivência dos pais. Tudo isso, representa um impulso muito potente, que permite a construção de uma incrível capacidade de conhecimento de si e do mundo.
Os pais preocupam-se e incomodam-se com a bagunça do quarto, com as horas longas de sono, a porta do quarto fechada que está no modo “não perturbe”. A adolescência não é um processo fácil, nem mesmo para os pais, que precisam sobreviver a cada dia a essa fase dos filhos. Aceitem, pais, seus filhos precisam de um casulo para amadurecer, eles precisam impor o que pensam e negar por um tempo o que vocês têm a oferecer. Eles necessitam refugiar-se no seu mundo interno para processar tantas mudanças, transformações de seus corpos e sentimentos e de uma sexualidade que chegou sem um manual de instruções. Se existe receita magica, aqui vai uma: a adolescência não dura para sempre. Pais sejam pacientes, seus filhos precisam de vocês mais do que nunca, seja com a porta do quarto fechada, seja com as divergências de opinião. A segurança deles está em sentir que vocês irão sobreviver a essa fase, que suportam, apesar dos pesares, essa adolescência, isso é que vai gerar grandes bases de confiança e segurança para o desenvolvimento adulto. A batalha não é nada fácil para vocês, nem para eles, mas no final vale a pena.
Fonte:
Adriane R. Figueiredo
Psicóloga
CRP 07/2169
Especialista em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica
(54) 99903-0263


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