Hoje, como de costume, eu estava ouvindo músicas no YouTube, quando, aleatoriamente, no meio da minha playlist de Rock e Metal, começou a tocar uma música suave, que meu pai cantava para mim e amava escutar enquanto passeávamos nos finais de semana.
Senti um arrepio, um nó na garganta e lembrei-me dos nossos sonhos e planos.
Eu tinha 5 anos, quando ganhei uma linda blusinha, com babados e o desenho de uma bonequinha na frente. Minha mãe arrumou o meu cabelo, com um prendedorzinho, erguendo somente um dos lados e deixando um leve cacheado do outro. Quando apareci na sala, meu pai me disse: Minha filha, você está uma princesa (e eu lembro que me achei mesmo). Então ele me pegou no colo e disse: “Vamos! O papai vai levar você para fazer uma linda foto, para quando você for uma mocinha, vou poder lembrar de como você era quando pequena”… E continuou: “Quando você casar, o papai vai te levar bem linda na igreja”.
E isso nunca aconteceu.
Não passou de planos e sonhos, pois comemoramos juntos, pela última vez, nossos aniversários. E alguns poucos meses após, ele se suicidou.
Tudo acabou.
Por que falar nisso, logo agora, que todos precisam de uma palavra de esperanças?
Justamente por isso.
Porque estamos vivendo algo tão surreal, onde alguns acreditam mais, outros menos, mas é inegável que é uma mudança mundial.
Uma época, onde o “virar do ano” terá significados diferentes de todos os outros que já tivemos. Muitos sonhos foram interrompidos, muitas esperanças, de fato, foram perdidas.
Então, ainda falando em significado, fui buscar o da palavra “sonho” em diversas línguas. E o que eu achei mais interessante foi no Hebraico, que é “ “חֲלוֹם” (OUÇA e REPITA).
Sonhar nos difere dos animais, assim como elaborar planos. E mesmo que estejamos em meio a tantas incertezas, sugiro, humildemente, com a experiência de quem já teve tantas perdas irreversíveis, que OUÇAM seus desejos mais profundos, mais humanos. REPITAM estes sonhos para si e para o Universo, até que fiquem timbrados em suas mentes, almas e corações.
Hoje, mesmo com todas as perdas, continuo a sonhar, planejar e ter esperanças. Porque percebi que uma vida sem sonhos (como foram longos anos para mim), é como perdermos parte de quem somos.
Fonte:
Gabriele Lima
Terapeuta de Reiki
Instagram @gabi.palestrante

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