Desde que as escolas brasileiras tiveram que fechar por conta da pandemia do coronavírus, os vídeos se tornaram um dos principais recursos para ter as aulas em meio ao isolamento social. Por meio deles, estudantes conseguem entrar em contato com seus professores de referência, construindo a dinâmica que mais se aproxima à da sala de aula.
Logo de cara, isso se mostrou um desafio gigantesco tanto para professores, quanto para pais e alunos. Dentro disso, algo começou a acontecer e alguns pais se mostraram preocupados com isso, que é a questão da vergonha e do medo da criança ao responder o professor ou falar em frente a câmera. Sabemos que as crianças nasceram na era tecnológica, falam com amigos por redes sociais, mas muitas vezes estão com dificuldades na socialização pessoal, em interagir com os outros, e é claro que o online iria trazer isso também. Algumas crianças já eram consideradas tímidas antes, então devemos tomar cuidado para que esse medo, não seja algo que a prejudique e que traga muito sofrimento, como evitação e reações emocionais muito grandes (choro, taquicardia, sudorese).
Em 2015, o jornal britânico Sunday Times realizou um estudo sobre o medo das pessoas de falar em público. Esse temor é maior até mesmo que o de problemas financeiros, doenças e morte. Dos três mil entrevistados no Reino Unido, 41% responderam que o medo de falar em frente a pessoas é o maior. O medo de falar em público ganha até mesmo do medo de ter de lidar com problemas financeiros, que é de 22%, e do medo da morte, que é de 19%. Considerando que falar em público é um dos maiores medos da humanidade, temos que entender o que a criança está sentindo e porque está com medo de se expor. Muitas vezes as crianças tem esse receio de se expor por medo da rejeição, de falar algo errado, e do que os outros vão pensar. Sendo algo tão sério, e que causa sofrimento para a criança, é preciso respeitá-la nesse momento. Um pouco de medo sempre é esperado, mas quando esse sentimento é impeditivo e traz sofrimento é preciso fazer intervenções
Diante disso, a Psicóloga Michele Daré Mignoni, com foco em Crianças e Orientação de Pais manifesta que não devemos forçar a criança a fazer o que não está se sentindo à vontade. Às vezes parece que forçando a fazer aquilo, dá uma sensação que está ajudando a criança a enfrentar o medo para diminuí-lo, só que esse não é o melhor momento para isso, primeiramente é preciso acolher os sentimentos da criança. É necessário sinalizar a escola e o professor sobre isso, para que a criança não seja exposta. É também ter consciência de que não adianta punir, bater ou castigar porque a criança vai preferir isso do que enfrentar seu medo.
Os pais podem fazer uma sensibilização para esse temor, conversar com a criança sobre isso, perguntar o que está acontecendo, o que pode ser feito para ajudar. E se pensarmos que a criança tem receio da rejeição dos colegas e professor, devemos trabalhar a autoestima, pois se tem medo de errar e do que os outros vão pensar, a autoestima da criança está baixa. Valide, elogie, valorize as coisas boas que a criança faz!
Ajudar a criança a se expor é algo válido para ela também, vídeos de danças e coreografias, montar teatro e fazer apresentação, karaokê, vídeos da criança falando sobre o que gosta, chamada de vídeo com familiares, fazer leitura de livros em voz alta e se a criança não sabe ler, ela pode explicar a história. Nada disso precisa ser postado na internet, mas dessa forma a criança pode ir se soltando e fortalecendo a autoestima e autoconfiança dela.
“Se mesmo com essas intervenções, a criança continua com muito medo e sofrimento no momento de se expor e falar durante a aula, é fundamental a procura de um profissional. Com a psicoterapia, é desenvolvido as habilidades sociais, trabalhado a autoestima e autoconfiança da criança e também o enfrentamento desse medo. E conjuntamente auxilia os pais, como eles podem conduzir a situação do receio de se expor na aula online, dando estratégias e intervenções direcionadas para o caso da criança”, comenta a Psicóloga.
Fonte: Michele Daré Mignoni
Psicóloga CRP 07/32169
Telefone: (54) 99109-2300


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