Estamos no sul do Brasil. É inverno, e neste ano a safra de pinhão foi das melhores, como há muito não acontecia. Dia desses, juntando pinhões sob uma araucária, encontrei um cujo pavio apontava meio centímetro para fora: estava germinando! Olhando para cima não pude fugir à constatação mais do que óbvia — ululante, diria meu primo – de que tal semente, do tamanho de meu dedo mínimo e que se acomoda na palma de minha mão, poderia ser um dia uma frondosa árvore como aquela sob a qual eu me encontrava, onde, sozinho, eu não conseguiria envolver o seu formidável tronco em um abraço.
Foi com essa imagem que me permiti viajar em pensamentos e comparar aquela semente a algumas pessoas que conheci por conta de meu trabalho em psicoterapia. Todas as que seguiram esse curso natural do crescimento – e tal e qual a parábola do semeador, encontraram terreno fértil e condições propícias para seus desenvolvimentos – puderam em suas transformações encontrar uma nova forma de viver, talvez mais leve, com menos exigências, tornando-se mais tolerantes, amorosas, enfim, melhores. Todavia, tal como os pinhões, outra parcela que conheci encerrou ali o seu ciclo: ou por não ter uma oportunidade para germinar ou por acomodar-se a uma vida medíocre, pensando estar, assim, cumprindo seu papel na família, no trabalho ou na sociedade.
Porém, não somos pinhões caídos ao solo e lançados à sorte, somos seres humanos dotados de vontade, de amor, de inteligência e de livre arbítrio que nos possibilita discernir nossas escolhas. Por definição da Organização Mundial de Saúde, somos seres biológicos, psicológicos e sociais (muito embora eu faça parte daquela turma que acrescenta a espiritualidade à essência de cada um) e por isso herdeiros de uma carga genética e ao mesmo tempo estruturados psicologicamente em meio à sociedade. São essas condições que nos tornam diferentes e nos deixam mais ou menos preparados para a vida.
Tudo isso para dizer que sempre quando inicio um novo atendimento em psicoterapia, levo em consideração que aquela pessoa que no momento inspira cuidados, é como uma semente que está com todo o potencial para sua germinação e que posso auxiliar para que ela encontre em sua família, em seu trabalho, em seu relacionamento as condições propícias para seu desenvolvimento natural, o do crescimento. Todavia, reconheço que é dentro dela que está o primeiro movimento (a germinação) para sua transformação, e essa, cabe unicamente a ele mesmo executar. Portanto, toda e qualquer mudança desejada em uma psicoterapia passa necessariamente pela vontade em abandonar velhas formas e ir ao encontro de um novo momento, em busca do curso natural de todo o ser vivo, o da transformação e do crescimento. Mas isso dá trabalho.
Portanto, trabalhe-se, renove-se, cresça!
César A R de Oliveira
Psicólogo
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