Na última década, observou-se um interesse cada vez maior pela vitamina que também é um hormônio, a vitamina D. Além de seu importante e reconhecido papel na regulação do metabolismo ósseo (evita o raquitismo, doença associada a fraturas e deformidades ósseas), foi demonstrado em vários estudos científicos que a vitamina D é crucial para uma série de processos fisiológicos que incluem saúde musculoesquelética, desenvolvimento cerebral, reparo do DNA, regulação de até 3 % do nosso genoma, ação em doenças autoimunes e cardiovasculares, além de servir de proteção contra vários tipos de câncer, como de mama, de próstata e de cólon.
De fato, após a descoberta de que praticamente todas as células humanas possuem receptor para vitamina D e que a deficiência dessa vitamina estaria associada ao aumento do risco de manifestação de doenças altamente prevalentes, como o diabetes e a hipertensão, dosar e repor vitamina D virou quase que obrigatório. Entretanto, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, em seu posicionamento mais recente, não recomenda a dosagem de vitamina D para a população geral; apenas para indivíduos sob risco de deficiência, como aqueles com osteoporose, idosos com história de quedas ou fraturas, obesos, grávidas, pacientes com síndrome de má absorção (caso de quem passou por cirurgias da obesidade, por exemplo), entre outras situações.
A principal fonte de vitamina D é a exposição da pele à luz solar. Pequenas quantidades dessa vitamina podem ser obtidas por meio da alimentação, porém alimentos ricos nesse composto, como salmão, atum e alguns cogumelos, não são muito presentes na dieta brasileira. Ainda, o tempo escasso de exposição solar somado ao uso de protetores solares, que são muito benéficos na proteção e para evitar o câncer de pele, dificultam a fabricação natural da vitamina D. Esses fatores são responsáveis pela alta prevalência de deficiência de vitamina D em nossa população. Os dados são alarmantes: em média, uma em cada duas pessoas tem níveis insuficientes de vitamina D. Aí entra em cena o sol em cápsulas, comprimidos ou gotas.
Mas como dizer que grande parte da população tem insuficiência de vitamina D se até o momento não se sabe o que é, em verdade, ser suficiente? Não há consenso entre as instituições médicas, entretanto, a maioria considera suficientes níveis sanguíneos acima de 20-30 ng/dL para garantir a saúde óssea, porém esses valores permanecem uma incógnita, já que o desafio da ciência é comprovar, por meio de evidências robustas, se realmente existe um nível ótimo de vitamina D capaz de prevenir o câncer e doenças cardiovasculares.
“Mas se bem não faz, mal também não vai fazer, não é? É só uma vitamina!” Ledo engano. A vitamina D oferece riscos, se ingerida em doses altas por um longo período, porque pode aumentar os níveis de cálcio no organismo e assim levar a sérios problemas cardíacos, renais e até mesmo à morte. A maioria das pessoas não precisa da suplementação com medicamentos. Mais seguro é marcar um encontro diário com o astro rei logo pela manhã ou no final da tarde, e é também mais barato.
Fonte: Dra Ciciliana Maíla Zilio Rech
Endocrinologista – CRM 32785
(54) 3622-1180 / (54) 99990-0719

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