Tanatologia, uma palavra pouco conhecida pelas pessoas. Tanatologia é uma especialização da área da psicologia, que estuda todos os tipos de perdas. Geralmente é reconhecida apenas por tratar do luto por morte. Vou explicar as perguntas mais frequentes sobre o assunto:
Como a Tanatologia pode nos ajudar a lidar com as perdas e sentimentos? Como funciona esta terapia?
A tanatologia atende eventos que envolvam processos de perdas, de ente querido; morte, pacientes terminais; rompimento de relações; aposentadoria; doenças; abortos…
O terapeuta especializado em luto é o profissional com o qual o paciente irá enfrentar, compartilhar esta dor, e o modo de encarar a solidão, a incompreensão, a angústia. Será acolhida a dor inassimilável do paciente, e a transformará em uma dor simbolizada.
Na terapia do luto, o foco é o ocorrido, onde o paciente pode falar sobre seu trauma. O objetivo é facilitar as fases do processo do luto, que são: aceitar a realidade da perda, elaborar a dor da perda, ajustar-se a um ambiente onde a pessoa viveu e reposicionar em termos emocionais a pessoa que perdeu.
Até quando viver o luto? Há um limite?
Falando sobre o luto por morte. O luto é um processo, não é uma doença, ele é um indicador de amor pela pessoa falecida. “A dor do luto faz parte da vida exatamente como a alegria do amor.” Algumas pessoas experimentam uma sensação intensa de vazio ou de falta de sentido nas relações afetivas ao viver a dor da perda. É preciso enfrentar o luto, trabalhando a perda em si mesmo, de forma ativa, e buscar o auxílio profissional quando não conseguir fazê-lo sozinho. O luto exige um tempo que é pessoal e depende muito do vínculo que a pessoa possuía e o tipo de morte.
Como já mencionamos, o luto é um processo e deverá ter um fim, ao completar o seu ciclo, ou seja, quando o organismo do enlutado voltar ao seu estado anterior, retornando ao equilíbrio vivido anteriormente à perda. A terapia do luto não tem o intuito de trazer o esquecimento do morto, como algumas pessoas pensam. Esquecer é impossível, não tem como esquecer quem amamos, apenas ajudamos a redirecioná-lo dentro de nós. Elaboramos o luto.
Por que é tão difícil lidar com a perda de alguém?
Porque vivemos e sobrevivemos pela vinculação. Passamos a vida aprendendo a se vincular (ser pai, mãe, filho, amigo, companheiro) e por isso, a dificuldade de se desvincular (perder/romper). Permanecemos por algum tempo desorientados, não sabemos como pensar, agir, o que fazer.
Temos ligado a isso o fator da superproteção, desde criança a morte está sendo colocada como um “sofrimento desnecessário”, as crianças não participam de rituais fúnebres, tanto de pessoas como animais, toda forma de tristeza é escondida. Como se fosse possível a vida ser sempre feliz. Não é raro chegar ao consultório, adultos na faixa dos 20/30 anos vivenciando pela primeira vez uma situação de luto.
Há quem diga que devemos sempre lidar com as pessoas sabendo que podemos perdê-las. Considerar a possibilidade da perda traz algum benefício às relações?
Quando pensamos no medo da morte do outro, nos referimos ao medo do abandono, o que envolve a consciência de uma existência pessoal, consciência da nossa finitude e uma fantasia sobre o que ocorrerá após a nossa morte. Mas pensarmos, diariamente, que as pessoas com quem mantemos vínculos poderá morrer a qualquer momento, iríamos ter um transbordamento da angústia, e isso não é saudável.
Famílias ou amigos que perderam alguém querido. Às vezes, deixam de celebrar comemorações (como aniversários ou festas de fim de ano) por tristezas. Seria mesmo o melhor caminho?
Não, como já mencionamos o luto é um processo e retornar a rotina vivida é primordial, nunca vai ser como antes, pois ocorreu um trauma. A morte é um trauma. As primeiras datas festivas, correspondentes ao primeiro ano da perda, são sempre as mais difíceis de enfrentar. Precisamos lembrar que levamos conosco o morto, a pessoa que se foi, incorporada à nossa vida, a esta vida já organizada, incorporada na memória, na saudade, numa vida entre vivos. Por isso, a importância da elaboração do luto.
As perdas que acontecem em nossa vida, não se resumem somente a morte como vimos. Por que é difícil passar por uma separação?
Durante toda a separação, segue-se um “distanciamento mútuo”, uma separação lenta que leva a um longo e doloroso processo. É uma dor narcisista, ou seja, a vivência da minha morte na consciência do outro. Explicando melhor: quando o casal está junto, eles se acham especiais, eles se bastam. Numa separação o que machuca é saber que você não é tão especial, que você é uma pessoa igual as outras. O seu narcisismo, então, entra em frustração, “não sou, ou não represento tudo aquilo que acreditava”.
O contraste entre o casamento que se desejava e o casamento conseguido abrange mais do que o desapontamento romântico e sexual. A condição de casado pode não corresponder a algumas, a às vezes a todas as expectativas. O casamento implica a construção de uma nova identidade para os cônjuges, o processo de separação, divórcio e redivórcio, por sua vez, implica a desconstrução dessa nova identidade. Por isso, é sempre vivenciada como uma situação dolorosa, havendo um luto a ser elaborado. Enquanto os homens enfatizam mais os sentimentos de frustração e fracasso, as mulheres ressaltam a vivência de mágoas e solidão.
Fonte: Zulmira Regina Puerari Pan
Psicóloga – CRP 07/21386
Formação em Tanatologia
(54) 3045-3223



.jpg)
.png)


