As características únicas de uma mulher sempre foram consideradas como produtos, que, sendo passíveis de mudanças poderiam favorece-la ou não. As que possuíssem as características da moda que estava em vigor no momento eram privilegiadas e as que não possuíssem iriam providenciar formas capazes de fazer parte das favoritas.
A indústria da beleza foi crescendo em razão dessas mudanças e os gastos com procedimentos estéticos acompanharam a curva de ascendência. Enquanto essas mesmas mulheres lutavam por direito iguais aos dos homens, também buscavam alcançar um padrão inatingível.
Naomi Wolf, em O mito da beleza, afirma que “para cada ação feminista há uma reação contrária e de igual intensidade por parte do mito da beleza.” E o que isso significa?
As mulheres, após anos de aprendizado e luta, concluíram que poderiam escolher suas profissões e ocupar cargos de tamanha importância, assim como os homens já vinham fazendo desde sempre. Porém encontraram uma barreira: a busca incansável por um padrão de beleza, que mudaria constantemente, sendo impossível de atingir.
Assim, para cada conquista feminista, como o direito ao voto ou concorrer para cargos políticos, a indústria da beleza criaria um novo padrão que afastaria a mulher do seu foco principal, que é igualar-se aos homens em direitos.
Com o tempo as mulheres foram ficando mais importantes, entretanto a preocupação com a beleza foi tornando-se mais valiosa. Naomi aduz que: “quanto mais perto do poder as mulheres chegam, maiores são as exigências de sacrifício e preocupação com o físico”, preocupação essa que os homens não possuem, porque eles jamais perderiam uma vaga excelente de emprego por não se encaixar nos padrões.
As mulheres não devem conquistar o que almejam apenas se possuírem o padrão de beleza imposto no momento, devem buscar atingir seus objetivos em razão do seu conhecimento, empenho e inteligência. A beleza é subjetiva e não deve ser pré-requisito para nada.
Se você é mulher e está lendo esse texto, não deixe de viajar, começar um curso ou fazer qualquer atividade que tenha vontade porque não atingiu um padrão imposto pela sociedade, isso só serve para atrasá-las e é cuidadosamente pensado para esse fim.
O mundo tem medo de mulheres que encaram suas diferenças como beleza única, tem medo de mulheres que entendem que envelhecer faz parte da vida e que o auge pode ser atingido em qualquer momento, independente da atualização do padrão de beleza e do sexo.
Fonte:
Fernanda Soares de Moraes
Advogada OAB/RS 116.327
(54) 98111-0504
Instagram: @fernandasmoraesadv



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