Bem-estar

A capacidade de (se) pensar

4 de fevereiro de 2020

O que difere os seres humanos dos animais é justamente a capacidade de pensar. Essa riqueza que possuímos nos levou a todas as evoluções que vivemos hoje. Por que então não usar essa capacidade para transformar a própria vida?

A psicanálise, desde suas origens, busca desenvolver a capacidade de se pensar. Afinal, quem eu sou? O que eu desejo? Parecem questões muito simples, mas que nos levam a mergulhar na nossa própria história e com base nisso poder transformar nosso destino. A parte difícil é que à medida que exercitamos essa capacidade, vamos nos tornando cada vez mais responsáveis por nós mesmos, pelas escolhas que fazemos, atitudes que tomamos, o rumo que damos à vida. Pode ser doloroso, pois nos faz olhar para aquele trabalho que procrastinamos, para aquela palavra que feriu um amigo, para os esquecimentos que atrasam o dia a dia, porém é somente assim que crescemos como sujeitos, tornando-nos cada vez mais apropriados do próprio valor, dos sonhos e de aonde podemos chegar. Portanto, ao mesmo tempo que isso possa soar pesado — já que atribuir ao outro ou às inimagináveis circunstâncias que o acaso pode nos proporcionar parece nos aliviar de olhar para a nossa parte — pode ser justamente o que vai possibilitar nos libertar.

Pensar nos torna autores da própria vida. Quando eu puder olhar para trás, o que eu desejo ver? Qual história desejo ter construído? O que faço hoje para alcançar aquilo que desejo? Escolher buscar a resposta para essas perguntas, entre tantas outras que podemos ter, é um ato de amor a si.

A análise é uma ferramenta que auxilia no processo de construção dessas respostas, pois ao mesmo tempo que olha para o passado, vai criando novas marcas que possibilitam a transformação do futuro. Trilhar esse caminho leva tempo, dedicação, persistência e muito investimento, características que se tornaram pejorativas na cultura que vivemos, onde o imediatismo impera. É uma longa jornada, porque vai sendo construída de dentro para fora, mas é como subir uma montanha e a cada passo dado a vista torna-se mais ampla e bonita.

Fonte: Jéssica Padovani — Psicóloga — CRP 07/23694 — (54) 99604-9264