Instagram. YouTube. Facebook. WhatsApp. Google. Quem não tem ou não usa, que atire a primeira pedra. Hoje, eles constituem os principais meios de comunicação, propagação de informações e, principalmente, de expressão de opiniões. Qual seria então, a influência deles na constituição do pensamento crítico?
Vivemos em uma época em que o imediatismo impera. A máxima “tudo ao mesmo tempo agora” nunca foi tão próxima da nossa realidade. É só observar: a dificuldade de suportar a espera tanto de respostas do Whats, quanto em uma fila; a quantidade de crianças com diagnóstico com dificuldades de concentração, porque é difícil manter-se fixado em uma tarefa até o final; os relacionamentos que terminam tão rápido quanto iniciaram e a esses podemos associar diversos outros exemplos. Não poderia ser diferente então, com relação ao processo de construção de pensamentos críticos, pois eles demandam um movimento muito raro hoje em dia: o de introspecção. Para que se possa construir uma opinião que seja transformadora, ou ao menos embasada, é necessário parar para refletir, investir energia na busca de respostas e ter capacidade de suportar a frustração ao encontrar mais perguntas nesse processo todo, inclusive poder compreender que não há como saber tudo e muito menos de forma rápida. O que podemos perceber é que as pessoas reproduzem as informações que recebem sem ao menos se questionar se elas são verídicas ou não. Não se faz uma pergunta sequer sobre o que é repassado. A informação é tomada como verdade absoluta e como resultado, vemos o discurso de ódio sendo compartilhado em massa.
E aí? O problema seria mesmo os aplicativos? Ou a forma com que nos relacionamos com eles? De forma alguma, esse texto de opinião (construída até então por meio de estudos, enigmas e observação na prática), quer ir contra aos aplicativos, apenas nos fazer pensar a respeito do que estamos fazendo com isso e do porquê desse fenômeno acontecer. A capacidade crítica é construída desde a infância, por ser nela onde se iniciam os primeiros enigmas: de onde vem os bebês? E se ensaiam as primeiras respostas, que chamamos de teorias infantis. Conforme, nós, os adultos, lidarmos com isso, é que fará toda a diferença. Poder ajudar a criança a suportar as frustrações, o não saber, a espera, bem como, mostrar o caminho da cultura, da literatura, do teatro, da música que são tão ricos, mas tão desvalorizados é o que vai possibilitar às crianças abertura para uma vida de descobertas e criações. O pensar é constitutivo, ou seja, necessita de um adulto que possa ofertar recursos para tal, sem isso, a criança fica presa no vazio que as respostas imediatas trazem. Para que buscar, se tenho tudo?
Não custa lembrar: os aplicativos são meios, o que interessa mesmo é quem está por trás deles.
Fonte: Jéssica Padovani – Psicóloga CRP 07/23694 – Telefone: (54) 99604-9264



.jpg)

.jpg)
.jpg)
