Bem-estar

A relação: comunicação X máscara facial

4 de abril de 2022

Há mais de 2 anos, com a Pandemia da Covid-19, tornou-se obrigatório e essencial como cuidado de prevenção ao contágio do Coronavírus o uso de máscara facial. De material variado, desde tecido comum à fibras especialmente desenvolvidas e testadas, a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) foi de usar a máscara cobrindo a boca e o nariz, substituindo-a de tempo em tempo conforme o material.

E aqui vem uma importante consequência desse uso essencial: a dificuldade na comunicação. Isso mesmo! Com o uso das máscaras cobrindo a boca, alguns estudos já evidenciam prejuízos na compreensão e emissão da fala em todas as idades acarretando prejuízos na comunicação. As máscaras atenuam, ou seja, diminuem de 2 a 12dB o volume da voz e ainda impedem a leitura orofacial (o popular ler os lábios) atrapalhando a compreensão da palavra dita. Para a pessoa que fala, muitas sentem a voz abafada e acabam aumentando o tom de voz o que pode acabar resultando em problemas nas pregas vocais e fadiga vocal no final do dia, deixando a pessoa com voz rouca e falhas na voz. A ausência da pista visual dos lábios e o tom de voz mais baixo torna ainda mais difícil a pessoa com deficiência auditiva de se comunicar, pois acaba ouvindo menos e entendendo menos, exigindo maior atenção e concentração numa conversa antes considerada fácil.

Nas crianças, tem ocorrido um aumento significativo de atraso e trocas na fala em idades de 6 anos, quando se espera uma fala adequada, e um nível abaixo de compreensão idealizado para a faixa etária. Em pessoas consideradas ouvintes normais, essa dificuldade de compreensão também ocorre, e assim como nas crianças e nas pessoas com perda auditiva, surgem constrangimentos, respostas equivocadas e até mesmo ausência de respostas, causando uma comunicação ruidosa, onde não há clareza e esclarecimento, como a comunicação deve ser.

Essas sequelas na comunicação, além de várias outras que a Pandemia da Covid-19 está deixando, nos mostra o quão importante deve ser a retomada à rotina habitual antiga, buscando que os relacionamentos voltem a ser saudáveis e amigáveis e a comunicação volte a ocorrer da melhor forma possível, com assertividade e entusiasmo na mensagem.

E cabe ao profissional fonoaudiólogo a dar suporte na melhoria da comunicação, seja com orientação. intervenção e tratamento desde os problemas patológicos como nos aperfeiçoamentos da fala e da comunicação de modo geral.

Fonte:
Morgana Gai
Fonoaudióloga CRFa 7-9417
(54) 99622-9192
Instagram @gaimorgana