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A tua presença é importante

5 de novembro de 2025

Recebi de um amigo um texto sobre uma história acontecida recentemente com um jovem japonês. Shoji Morimoto, cansado de trabalhos que não o satisfaziam, resolveu fazer uma publicação em redes sociais com as seguintes palavras: “Alugo-me para não fazer nada. Posso estar contigo, ouvir-te, acompanhar-te. Não cozinho, não limpo, não dou conselhos. Apenas existo contigo. Preço: transporte e comida”. Dizia que sua intenção era apenas pela expectativa de ver quais resultados adviriam, mas ficou surpreso no dia seguinte ao perceber ter recebido mais de 500 mensagens de pedidos. Uma mulher queria que estivesse junto enquanto fosse assinar os papéis de seu divórcio; após alta hospitalar decorrente de uma cirurgia, um jovem pediu-lhe que o acompanhasse caminhando em silêncio até sua casa. Shoji foi convidado também para ver um pôr do sol, para segurar um guarda-chuva, para ouvir alguém chorar durante uma hora sem julgamentos e até para assistir a uma jovem subir ao palco, já que ninguém da sua família iria. Suas histórias foram publicadas em um livro ainda sem tradução no Brasil, porém, no site da Amazon encontramos a versão em inglês sob o título “Rental person – who does nothing” – que numa livre tradução soa como Pessoa de aluguel que não faz nada. Há também algumas entrevistas de Shoji no Youtube bem como matérias afins.

Estou escrevendo sobre um fato acontecido no oriente, onde a diferença cultural da população deve ser considerada e a honestidade é um valor social fundamental, visto como um pilar da confiança comunitária que impacta a segurança e a economia. Embora exista desonestidade, como em qualquer sociedade, a norma cultural japonesa valoriza a integridade e a palavra.  

É possível encontrar em vários lugares do mundo anúncios de serviços de cuidadores e de acompanhantes, normalmente voltados a pessoas idosas ou a outras com alguma doença ou condição especial e que necessitem de ajuda. No Brasil, o termo em uso é “concierge”, referente a uma palavra francesa que revela uma necessidade corriqueira: a de evitar a solidão e proporcionar autonomia a idosos saudáveis no cenário de aumento da longevidade. Segundo os profissionais que atuam com serviços de cuidadores ou de acompanhantes a pessoas idosas, a maioria das solicitações são feitas pelos filhos, os quais alegam falta de tempo por compromissos de trabalhos ou então com seus próprios filhos menores, e justamente por isso pedem ajuda. Também existem ofertas (de empresas ou da parte de algumas pessoas) para a prestação de variados serviços, tais como acompanhante em uma consulta médica, para ir à missa, para uma caminhada, etc., e a qualquer pessoa interessada, independentemente de idade ou condições de saúde.

Voltando ao nosso personagem oriental, é importante pensarmos sobre o que levou o grande número de pessoas a procurá-lo. Em uma de suas falas, ele deixa claro que não está na companhia de alguém para corrigir-lhe ou para julgá-lo, diz que sua proposta é apenas a de estar presente. Esta é a função que fez com que mais de 4 mil pessoas o procurassem, há muita carência no ser humano, e isto digo, também, embasado em minha experiência de mais de duas décadas de trabalho em psicoterapia. Num mundo tecnológico onde a grande maioria de telefonemas resume-se a ouvir robôs e a digitar a tecla correspondente ao nosso anseio, onde há muito mais trocas de mensagens e de postagens do que falas ou conversas olho no olho, ESTAR PRESENTE, neste caso, fez a diferença. Paradoxalmente ao seu anúncio de nada fazer, Shoji Morimoto fez muito!

Como estamos presentes na vida de nossa família? Com relação aos amigos, quando trocamos um abraço ou nos colocamos à disposição para algum auxílio? Estar presente é ser solidário, e isso fortalece laços sociais, familiares, dá sentido à vida e nos permite agradecer. Gratidão é o sentimento nobre que advém do bem que fizermos, não se trata de reconhecimento de terceiros, mas da consciência em sermos úteis. Tens dificuldade de expressar teus sentimentos? Sessões de psicoterapia propiciam momentos de franqueza, sinceridade sem julgamentos e auxiliam no processo de autoconhecimento, capaz de fortalece-lo em tua caminhada.  Esteja presente em tua vida, comece por ti mesmo.


Fonte: César A R de Oliveira
Psicólogo
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