Bem-estar

A verdade sobre o Papai Noel

7 de dezembro de 2020

Aos 6 anos, um primo me contou, de maneira brusca, que Papai Noel não existia.

Descobri cedo demais que a verdade dói.

Para mim, foi uma tristeza tão grande, que acabou com o meu Natal. E não é drama não. Meu pai havia se suicidado havia um ano e meio. Nós havíamos perdido tudo o que tínhamos: casa, carro, segurança. Nossa casa havia sido arrombada duas vezes e ficamos apenas com poucas peças de roupa.

E naquele Natal, de 1979, minha mãe estava tentando se recuperar de tudo isso, inclusive se sacrificando financeiramente por mim e pelo meu irmãozinho, de 4 anos.

Ela havia comprado (em longas prestações), uma bicicletinha para mim e um mini fusca (a pedal) para o meu irmão.

Eu estava convencida que teria sido o Papai Noel, para nos compensar por tudo que estávamos passando.

Quando eu soube que ela havia adquirido aquela “dívida”, só para nos dar um pouco de alegria, meu mundo caiu. Chorei compulsivamente e queria devolver, pelo menos o meu presente, para amenizar o sacrifício dela.

Claro que isso não aconteceu e fui consolada por saber que sua maior felicidade era nos ver felizes. E o Natal prosseguiu, apesar da minha dor.

Quantas histórias parecidas com esta ou com maiores tragédias temos visto, especialmente neste ano, atípico, acometido por tantas perdas e mudanças inesperadas?

A vida não é um conto, todos sabemos. Mas o que nós estamos fazendo com a nossa história? Sabemos que Papai Noel não existe de fato, mas por isso, perdemos o encanto pelos gestos simples, pelos abraços (mesmo virtuais), pela atenção, pelo fazer o bem.

Nós somos os Papais e Mamães Noéis. Somos nós os responsáveis por presentearmos quem amamos com nossos bens mais preciosos. E estes não vêm em pacotes e caixas com laços exuberantes. Vem da nossa essência.

Quantas famílias passarão em seus celulares, abrirão os seus presentes, farão fotos divinas para as redes rociais, mas nem ao menos seus olhos se encontrarão, quanto menos seus abraços. Quantos chesters nem serão tocados, em mesas lindas bem-postas, mostradas em uma web-chamada para “amigos” importantes?

Quais valores tocarão seus corações neste final de ano, que realmente nunca houve outro ano tão desejado que chegasse ao final?

Se eu me vestisse de Mamãe Noel e passasse em suas casas, lhes daria um poderoso e restaurador abraço e lhes diria uma frase, do clássico filme Sociedade dos Poetas Mortos: Carpe Diem. Aproveitem o dia… Façam suas vidas serem extraordinárias.

Porque no final, quando não estivermos mais aqui, somente o que fizemos de extraordinário será lembrado.

Um final de ano renovador à todos.

Fonte:
Gabriele Lima
Geekóloga e Empresária Geek
@gabi.palestrante