Dias atrás, uma das minhas pacientes — uma verdadeira rainha — me disse: “Edna, eu me sinto muito acomodada”. Essa frase me fez refletir: será que ela está mesmo acomodada… ou apenas em paz? Quantas vezes a gente confunde estar descansada, relaxada, tranquila com estar parada, improdutiva, acomodada? Talvez você esteja apenas vivendo um momento de equilíbrio, com menos pressão, com mais clareza para fazer escolhas por você mesma. E tudo bem. Isso não significa estagnação. Significa estar em paz. E estar em paz também é um estado potente.
A gente precisa olhar com mais carinho para essas palavras. “Acomodada” nem sempre quer dizer falta de movimento. Às vezes, quer dizer que você não está mais sobrecarregada. Que você, finalmente, conseguiu respirar. Aproveito esse gancho para trazer uma reflexão: quantas de nós confundimos excesso de atividade com produtividade? Muitas vezes, por trás dessa pressa, existe uma lealdade invisível às mulheres da nossa história — mulheres que nunca paravam, que cuidavam de tudo e de todos. Que davam conta do trabalho, da casa, dos filhos, do marido, das finanças. Mas esse acúmulo, esse “dar conta de tudo”, pode nos levar à exaustão, ansiedade, estresse, irritabilidade, noites mal dormidas… e, em muitos casos, à depressão. Porque sim, ansiedade não tratada pode se transformar em depressão.
Se você, assim como eu, cresceu em um ambiente onde as mulheres eram vistas como super-heroínas que não podiam parar, talvez esteja na hora de mudar esse padrão. Ele só vai te exigir mais perfeição, e ainda assim, vai continuar fazendo você se sentir insuficiente. E qual o resultado disso? Baixa autoestima. Sentimento de impotência. Sensação de que você não tem mais controle sobre a própria vida.
Então eu te pergunto:
Qual foi a última vez que você fez algo só por você?
Que você se permitiu ser você, sem a necessidade de agradar ninguém? Os excessos, muitas vezes, escondem faltas. O que está faltando na sua vida hoje? É realização profissional? Amor-próprio? Uma relação mais leve? Talvez seja medo de falhar, insegurança… e para não pensar sobre isso, você preenche todos os espaços do dia. Mas esse comportamento está sugando a sua energia. E quando você finalmente se permite descansar, aparece a culpa. A autocobrança. E aí, o corpo adoece.
Dados de 2024 mostram que o Brasil é o país com o maior número de afastamentos por ansiedade e depressão. Precisamos falar sobre isso. Precisamos mudar essa realidade. E a transformação começa dentro da gente. Começa no momento em que a gente se autoriza.
Se autorize a fazer algo por você. Se autorize a fazer terapia.
Fonte: Edna Mara Grahl
Psicóloga CRP 07/32844
Especialista em Terapia de Família e Casal, com foco em Autoconfiança Feminina
(54) 99951-8237
Instagram: @psicologaednagrahl


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