As chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam espaço nos consultórios, nas redes sociais e nas conversas de quem busca tratar a obesidade. Os medicamentos que atuam nas vias do GLP-1 e do GIP podem reduzir a fome, aumentar a saciedade e contribuir para a perda de peso quando corretamente indicados e acompanhados. Entretanto, comer nunca foi apenas uma resposta à fome física.
Nossa relação com a comida também envolve emoções, hábitos, lembranças, crenças e a maneira como aprendemos a lidar com o corpo. Por isso, mesmo quando o medicamento modifica o apetite, algumas dificuldades podem permanecer ou se tornar mais evidentes.
Há pessoas que comem para aliviar ansiedade, tristeza, estresse ou solidão. Outras convivem há anos com dietas restritivas, culpa, perda de controle e insatisfação corporal. O medicamento pode diminuir a fome, mas não apaga automaticamente essa história. Durante o tratamento, ainda podem surgir medo de recuperar o peso, preocupação excessiva com a balança, estranhamento diante das mudanças corporais e insegurança sobre o futuro sem a medicação.
É nesse cenário que o acompanhamento psicológico pode fazer diferença. Na psiconutrição, o psicólogo não fiscaliza o prato nem prescreve dietas. Seu papel é compreender os aspectos emocionais e comportamentais da alimentação e ajudar o paciente a construir uma relação mais consciente, flexível e menos culpabilizada com a comida e com o próprio corpo.
O acompanhamento também auxilia a reconhecer gatilhos do comer emocional, diferenciar fome física de necessidade afetiva, ajustar expectativas sobre o emagrecimento e desenvolver outras formas de lidar com situações difíceis. Além disso, permite identificar sinais de sofrimento psicológico e comportamentos alimentares de risco que necessitem de atenção especializada.
O tratamento da obesidade é uma jornada individualizada e interdisciplinar. Médicos, nutricionistas e psicólogos exercem papéis complementares. As “canetas emagrecedoras” são ferramentas poderosas, mas não atuam na raiz das emoções. Reduzir a fome pode ser parte do caminho. Compreender o que nos leva a comer, como vivemos em nosso corpo e o que esperamos do emagrecimento também é essencial.
Se você está em uso ou planejamento dessas medicações e sente que precisa reorganizar suas emoções frente à comida, saiba que você não precisa passar por esse processo sozinho(a).
Fonte: Nair Angélica Comassetto
Psicóloga – CRP: 07/17.973
Psiconutrição e Comportamento Alimentar (54) 99218-2277
Instagram: @psico.nairangelica


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