(Automutilação é mais que um corte)
É necessária a compreensão do que leva o indivíduo, a chegar neste estágio. Para o profissional da área, dizemos que o sofrimento, a dor psíquica, que não foi possível ser controlada, faz com que o indivíduo, a controle com a dor física (um corte a mais).
A automutilação é um comportamento de descarga, de alivio, de retomada do controle emocional, e para se manter funcional.
Sempre existe um “gatilho” a este comportamento (corte), que provocará um alivio, fazendo o ciclo se repetir. O importante é identificar que “gatilho” é este, e quantos cortes ocorrem a cada episódio. Geralmente adultos e jovens, que utilizam este mecanismo, sabem que é mais seguro a automutilação do que usar drogas ou sexo para aliviar a dor psíquica. Evitam falar sobre o assunto, por temer a julgamentos ou proibição repentina, levando-os a esconder os cortes.
E porque isso acontece? Eventos negativos pessoais geram uma tensão de cobrança, uma sensação extrema de fraqueza e de inadequação, de onde a raiva se volta contra a própria pessoa, gerando uma sobrecarga de intensas emoções, que levará a uma urgência para aliviar a sobrecarga de mal-estar, desespero e descontrole.
A dor intensa rouba o foco da angústia. A angústia se dilui e o cérebro registra esse alivio da descarga, retroalimentando o ciclo.
Quebrar esse ciclo, não pode ser repentino, é um trabalho sensivelmente delicado e cuidadoso, pois existe uma funcionalidade na automutilação. Esse trabalho precisa ser desenvolvido em conjunto com o paciente, psicólogo e/ou psiquiatra, para que se encontre uma substituição comportamental e assim possa encerrar os ciclos de automutilação.
Fonte:
Zulmira Regina Puerari Pan
Psicóloga Clínica – CRP 07/21386
Telefone: (54) 3045-3223



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