Bem-estar

Bullying na escola: e agora?

Há alguns meses atrás, os pais estavam sofrendo com as escolas fechadas e com as crianças em casa em aulas on-line. Agora, as aulas retornaram, o que causa um grande alívio nas famílias, porém com as aulas presenciais regressando, volta algo muito comum e nada saudável entre as interações, o bullying. “Michele, você está dizendo que as perseguições e intimidações já iniciaram novamente?”. Sim, retornaram juntamente com a volta das aulas presenciais. Recebi vários relatos de pais falando sobre o que os filhos estão enfrentando diariamente. A escola, muitas vezes, não conseguirá ter total controle das interações, principalmente, das que ocorrem longe do olhar de adultos, como no intervalo e no horário de entrada e saída.

Essas violências sempre existiram. No ano passado, essa situação parece ter tido apenas uma pausa, pois segundo pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 2019 com 100 mil crianças e jovens de 18 países mostrou que, em média, metade deles sofreu algum tipo de bullying por razões diversas, como aparência física, gênero, etnia ou país de origem. Segundo pesquisa divulgada pela ONU, 43% das crianças brasileiras sofrem com o bullying infantil.

“Baixinha, gorducha, dentuça”. A icônica fala pertence a Cebolinha, personagem da turma da Mônica, que vive a perseguir e provocar a amiga, a líder do grupo de amigos da vizinhança. Achamos a zoação engraçada e normal, mas, na realidade, ela retrata um clássico episódio de bullying infantil, que, ao contrário da ficção, não pode ser tomada como engraçado e normal.

O bullying é uma forma de violência que se manifesta em brincadeiras, mas que causam sofrimento na vítima, pois elas sentem humilhação, desvalia, medo ou tristeza. Os agressores geralmente pegam no ponto fraco da criança, muitas vezes falando sobre aspectos físicos, dando apelidos e zombando do colega.

Há muitas crianças que têm dificuldade em aceitar brincadeiras, mas os pais ensinarão a lidar com isso que ocorre de forma corriqueira. No entanto, a partir do momento em que a brincadeira passa a ser algo que é agressão, que a criança se sente mal e ofendida, isso já pode ser caracterizado como bullying. Na condição de pais, cuidadores e professores, é preciso acolher essa criança e o que ela está sentindo. Você perceberá se seu filho está passando por situações assim, porque ele irá mudar o comportamento, muitas vezes, ficando mais triste, recusando-se a ir para a escola, voltando da escola cabisbaixo, com momentos de choro excessivo e sem motivo ou isolamento, pode haver até uma piora no rendimento escolar.

É necessário ficar atento a esses sinais, também é preciso que a criança veja em você um adulto de confiança para conseguir relatar o que está acontecendo, sem ser julgada ou sentir menosprezo pela situação vivida. Tenha uma escuta ativa, converse com seu filho, pergunte, tenha interesse, todo o momento que você perceber uma mudança de comportamento, aponte isso para a criança e pergunte, coloque-se à disposição para ajudá-la. Para auxiliar nesse momento, tente fortalecer a criança para que haja uma resolução e um enfrentamento, procure a escola e profissionais mediadores para colaborar nesse momento. Se nada surtir efeito e a criança continuar em sofrimento, talvez seja necessário pensar em uma troca de escola, para que haja uma oportunidade de fortalecimento dessa criança e para ela fazer novos vínculos, relações e amizades saudáveis. “Precisamos intervir nesse momento de sofrimento da criança, pois o bullying pode causar consequências para todas as fases da vida dessa pessoa, podendo interferir na autoestima, na autoconfiança e até mesmo no medo de exposição ou o famoso medo de falar em público. Tudo isso acarretará em dificuldades durante muito tempo e em várias áreas, como a pessoal, profissional e acadêmica. Então se você está passando por algo assim com seu filho, não hesite em procurar ajuda profissional para que essa história tenha o melhor desfecho possível”, comenta a psicóloga Michele Daré Mignoni, que tem foco de atendimento em crianças e orientação de pais.

Fonte:
Michele Daré Mignoni
Psicóloga – CRP 07/32169
(54) 99109-2300
@psicologamicheledm