Neste Novembro Azul, a conversa com o médico ajuda a entender os riscos da doença e a decidir sobre os exames
Sentir-se bem costuma ser motivo para adiar uma consulta, mas o câncer de próstata pode crescer sem dar sinais no início. Por isso, o Novembro Azul convida os homens a conversar sobre um cuidado que muitos ainda deixam para depois. Essa distância do consultório também tem uma raiz cultural, observa o oncologista clínico Dr. Alvaro Machado, diretor do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), em Passo Fundo (RS). “O homem tem que ser forte, tem que resolver todas as coisas, ser o provedor e acaba se cuidando menos”, diz. O médico destaca o que está em jogo: “Quando um tumor é descoberto cedo, tem mais de 90% de chance de cura”. Em Passo Fundo, porém, seis em cada dez casos do SUS com estágio informado estavam em fases localmente avançadas ou avançadas em 2024. O levantamento do CTCAN usa o Painel Oncologia do Datasus e não inclui particulares nem convênios. O cuidado precisa continuar após o diagnóstico. Entre 2020 e 2022 e 2023 e 2025, a taxa de mortalidade ajustada por idade subiu 34% na cidade e caiu 6% no RS. Há mais homens idosos em Passo Fundo, mas o cálculo considera esse envelhecimento. O SIM/Datasus abrange todas as redes; 2025 é preliminar. A causa da alta ainda precisa de investigação. O Dr. Alvaro aponta atrasos e dificuldades de acesso ao tratamento como hipóteses.
Fazer ou não o PSA
A dúvida sobre o exame de sangue deve entrar nessa conversa. “Eu, particularmente, no meu consultório, eu peço e recomendo o PSA para os pacientes com 50 anos ou mais”, afirma o Dr. Álvaro. Ele explica que fatores de risco podem mudar a recomendação. Já o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomendam exames de rotina para toda a população masculina sem sintomas. O PSA pode se alterar por causas benignas e levar a biópsias desnecessárias. Pode também revelar tumores que nunca ameaçariam a vida, o chamado sobrediagnóstico. Tratá-los pode causar perda de urina e dificuldades de ereção sem benefício ao paciente. A orientação é decidir com o médico, após discutir benefícios e riscos. O Dr. Alvaro pondera: “Hoje a gente tem algumas ferramentas para diferenciar os tumores que podem ser acompanhados sem tratamento e aqueles que devem receber algum tipo de intervenção imediata”.
O cuidado no dia a dia
Não sentir nada pode dar a impressão de que está tudo bem. Segundo o oncologista clínico Dr. Álvaro Machado, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas no início. “Quando um tumor é descoberto cedo, tem mais de 90% de chance de cura”, afirma. Dificuldade para urinar, jato fraco, idas frequentes ao banheiro, inclusive à noite, ou sangue na urina merecem avaliação médica. Esses sinais também podem ter causas benignas, mas precisam de investigação. O cuidado com a saúde passa ainda pelas escolhas possíveis na rotina. O oncologista recomenda praticar exercícios físicos, manter o peso adequado, não fumar e reduzir ou evitar bebidas alcoólicas. Na alimentação, a orientação é priorizar frutas, verduras, feijões e cereais integrais e evitar os ultraprocessados. Esses hábitos contribuem para a prevenção do câncer em geral, mas não garantem proteção contra o câncer de próstata. Mesmo sem sintomas, vale conversar com o médico sobre o histórico de câncer na família e esclarecer quais exames e cuidados são indicados para cada pessoa.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
Fonte: Dr. Alvaro Machado (CRM/RS 14.652 – RQE 15.812)
Diretor do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Passo Fundo (RS)
Médico oncologista clínico pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Membro do Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM)
Membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)
Membro da American Society of Clinical Oncology (ASCO)
(54) 3311-3361 | Instagram: @ctcanpf | ctcan.com.br


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