Bem-estar

Casamento: como sobreviver a perda de um filho.

31 de março de 2023

A perda de um filho é, sem dúvida, uma das piores situações que um casal pode enfrentar. Não há dor mais profunda. E ela pode se transformar em turbilhões de emoções negativas que, em muitas vezes, destrói o casamento, como rescaldo da tragédia. Muitos casais permitem que o luto coloque uma “pedra” entre eles, ao invés de passarem pelo sofrimento lado a lado. Isso acontece se existir um sentimento de culpa sobre a morte ou a culpabilização de um em relação ao outro, acarretando uma grande possibilidade desse casamento sofrer um grande abalo e/ou o seu término. O ideal é que toda a família se apoie e que não haja cobranças sobre culpa ou um comparativo sobre a intensidade do sofrimento de cada um. É preciso que seja respeitado a dor e o tempo de luto do outro, para que o casamento consiga sobreviver a um impacto desse tamanho.

Um fator complicador da situação é a comunicação entre o casal, pois a mãe pode sentir-se sozinha em seu luto, enquanto o pai pode ver-se lutando para conter sua dor a fim de poupar o sofrimento da esposa. Essas tentativas de evitar o sofrimento do outro é o que muitas vezes gera o distanciamento nos casais. Homens e mulheres têm formas distintas de expressar suas tristezas. Em geral, os homens têm um estilo mais objetivo diante do sofrimento, eles fazem “coisas”. As mulheres sentem, ficam nas emoções. O simbolismo é diferente para cada um. Quando o casal está lidando de forma oposta, o luto de um agride o luto do outro. Reforçando, eles possuem entendimentos diferentes: “o pai se faz de forte, a mãe acha que ele não está sofrendo, mas ele está, só que da maneira dele, de forma diferente.”

O casal que não consegue perceber que a diferença na intensidade da dor de cada um, pode criar abismos intransponíveis, onde um não entende por que um sofre tanto, e o outro o acusa de insensibilidade e falta de apoio por sofrer aparentemente menos. Essas pressões e dificuldades pode levar um dos parceiros a ocultar sua vulnerabilidade e suas necessidades. Esses sentimentos não expressos verbalmente em um diálogo amoroso e honesto resvalam em atitudes de críticas, de cobranças e explosões de raiva, que contribui para o afastamento emocional que muitas vezes se torna definitivo.

Por isso, é fundamental discernir o real do imaginário, visto que, a perda traz fases, e estas fazem parte do processo de equilíbrio na elaboração do luto. Passar por elas é apossar-se do presente e ir de encontro com a real situação. Somente o casal sabe o que essa perda representa. É necessário entender que, você não deixa de ser mãe ou pai porque o filho morreu, o vínculo será eterno. A relação não termina com a morte, ela apenas se modifica.

Busque ajuda com um profissional psicólogo quando sentir dificuldade de compartilhar o sofrimento com o companheiro(a), não conseguir se relacionar com os filhos que permaneceram, sente-se culpado ou culpa alguém pela morte, não consegue se desvencilhar de nenhum objeto ou roupa do filho(a) falecido, mesmo após um ano de sua perda.

“SAUDADE É O AMOR. SÓ SENTIMOS FALTA DE QUEM AMAMOS.”

Fonte:
Zulmira Regina Puerari Pan
Psicóloga Clínica/ Tanatologia – CRP 07/21386
(54) 99950-5788
Instagram: zulmirareginapan