Bem-estar

Conciliando saúde mental e trabalho

11 de fevereiro de 2022

Inegavelmente há uma íntima relação entre o trabalho e a vida pessoal/emocional de um indivíduo. Tão íntima, que não raras vezes ambas se mesclam e acabam por invadir o espaço do outro. Dessa forma, é compreensível que o excesso de trabalho, bem como, a falta dele, são capazes de provocar sofrimento psíquico a qualquer indivíduo que encontra-se nessa realidade, seja de uma forma mais ou menos direta.

É importante destacar que sofrimento psíquico não é necessariamente um estado de transtorno mental, mas sim, um estado em que a pessoa percebe uma alteração na sua qualidade de vida, podendo se deparar com inúmeros sentimentos negativos em relação a si e ao mundo. Esse estado mental, pode encontrar-se diretamente atrelado ao dia a dia no trabalho, considerando que é nesse local em que se costuma passar boa parte do dia.

Com a supervalorização de uma rotina ativa e a necessidade de uma estabilidade financeira, o trabalho acaba por ultrapassar as barreiras do espaço laboral e invade o dia a dia das famílias de forma sorrateira. Afinal, a medida que a demanda aumenta, o tempo para conciliar todas as outras responsabilidades para além do ofício exercido, acaba por ser cada vez mais restrito. Com isso, não é incomum que as desavenças familiares aumentem, ou seja, a família passa a cobrar a presença do familiar que encontra-se mergulhado numa vida ativa no que condiz ao trabalho.

Quando pensamos sobre as desavenças familiares oriundas do excesso de trabalho, não raras vezes percebemos que as relações amorosas tendem a estremecer, já que o(a) parceiro(a) não disponibiliza a atenção desejada pelo cônjuge. Ainda nesse sentido, nos deparamos também com famílias que tem filhos e exigem que o(a) companheiro(a) participe de forma mais ativa do desenvolvimento dos mesmos. Com isso, é possível perceber que quando trata-se da vida laboral, há uma cobrança interna e externa que acompanha o sujeito ao longo de toda a sua vida, cobrança essa que ocorre tanto consigo, quanto com as outras pessoas que são presentes em sua vida.

Em contrapartida a uma rotina permeada pela vida laboral, pode-se perceber que a noção de que o trabalho dignifica o sujeito atravessa a contemporaneidade de tal forma que aqueles que não estão trabalhando, acabam por sentir-se inválidos e esbarram em uma série de dificuldades financeiras e pessoais, podendo levar aos mesmos dilemas pessoais discorridos acima. Dilemas esses que se fazem ainda mais presente na sobrecarga emocional que o ócio, o sentimento de exclusão social e a desaprovação familiar podem levar.

Dessa forma, quando essa realidade se faz presente, não há saída melhor que não seja o diálogo nas relações e uma reflexão sobre a atual situação de vida, pontuando prioridades e desejos profissionais/pessoais. Afinal, mesmo que seja inegável a importância de um rendimento estável, também se faz necessário estabelecer certos limites dentro de uma rotina tão exaustiva. Cuidar da saúde mental é sobre priorizar o equilibro, o diálogo nas relações e principalmente, ter um tempo só.

Fonte: Carolina Vieira Leite
Psicóloga – CRP 07/34578
(54) 99917-5768
@psicarolinaleite