Bem-estar

Diga-me com que andas…

13 de janeiro de 2020

Certamente você já ouviu a frase do título em alusão a que somos iguais àqueles que acompanhamos. Pois ocorre que uma recente pesquisa feita por uma agência de publicidade gaúcha afirma que as pessoas têm mais a ver com os grupos aos quais pertencem – e acompanham — do que propriamente com suas idades. Pela pesquisa, os grupos classificaram-se por diferença de comportamentos, tais como pessoas que praticam esportes, algumas viciadas em trabalho, outras são gourmets, ativistas, estilo zen, greens ou nerds, mas todos os grupos contavam com pessoas de várias idades e de gerações diferentes.

Ainda que o foco da pesquisa estivesse voltado para informações de mercado consumidor, é interessante (e inevitável) a curiosidade: a qual grupo pertenço? No momento em que tento encontrar-me, acabo por fazer uma reflexão de autoconhecimento e lembro-me dos tempos de Sócrates e da intrigante afirmativa no portal do templo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”. E reconheço o que vejo?

É claro que não devemos nos sentir rotulados e pertencentes a um único grupo, pois temos outras preferências também e se hoje nos identificamos devido aos interesses a um determinado grupo, amanhã poderemos nos sentir melhor em outro. Penso que a grande notícia dessa pesquisa é a de que não estamos limitados e uma faixa etária que determina o que podemos ou não realizar, afinal é bem provável que façamos muitas coisas que nossos pais não faziam quando tinham nossa idade. Se tivermos os cuidados necessários voltados ao relacionamento para com a nossa família, para com a saúde, com o de ter algum grupo entre amigos e/ou atividade social e para com a nossa espiritualidade, estaremos bem encaminhados para uma existência saudável, de realizações e com sentido.

Aproveitando as informações da pesquisa, vejo sobre o quanto é importante nos mantermos atualizados nos dias de hoje e atentos às mudanças. Nossa sobrevivência no mercado de trabalho depende disso, nossa relação com os filhos e amigos também, e se quisermos educar nossos filhos da maneira como o fomos, poderemos correr o risco de falharmos, por melhor que seja a intenção, os tempos mudaram.

Nas sessões de psicoterapia, com frequência, ouço jovens ansiosos por querer tomar certas atitudes mas que não o fazem pois estão preocupados em não desagradar os pais. Isto ocorre quando esses pais pensam de outra forma ou então não conseguem perceber a situação que o filho passa com o olhar que a modernidade exige, comparam o momento do filho às suas épocas.

Caros pais: digam-me com quem andam e lhes direi quem sois. Se por acaso andam de mãos dadas com o passado, proferindo a toda hora conselhos aos filhos que começam com a frase “No meu tempo…”, está na hora de rever seus conceitos, atualize-se!

César A R de Oliveira – Psicólogo – WhatsApp 99981-6455

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