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É melhor pagar à vista ou parcelar?

18 de maio de 2021

Você já deve ter passado por essa dúvida na hora de comprar alguma coisa, não é mesmo? Infelizmente essa resposta não parece ser tão simples como parece, afinal, não há uma opção intrinsicamente mais vantajosa. Dessa forma, é preciso ponderar: saber se há dinheiro guardado para pagar toda a compra ou até mesmo pensar sobre a possibilidade de adiar a compra e pagá-la à vista no futuro.

O que se pode dizer sobre compras à vista, é que, a priori, elas só são vantajosas se houver desconto para o pagamento. Em teoria, sempre deveria haver, pois o dinheiro tem valor no tempo e para quem recebe isso faz diferença. Então, parcelamento realmente sem juros não existe.

Entretanto, na prática, as coisas são diferentes. Nem sempre é possível negociar descontos para pagamentos à vista, então, nesse caso, parcelar pode realmente ser mais vantajoso, a menos que não haja limite no seu cartão ou que você perceba que tal compra não é tão importante naquele momento. Contudo, se houver desconto à vista, o cenário muda. Assim, pagar à vista pode ser melhor.

É importante observar o tipo de pagamento que você está fazendo. Os tributos geralmente geram descontos quando são feitos à vista, então gastos com IPTU e IPVA ou mesmo os gastos com mensalidades escolares podem render ótimos descontos. Então para saber se é realmente vantajoso você precisa comparar os juros embutidos no parcelamento com o rendimento em uma aplicação financeira. Olhe para as aplicações que você faz ou para aquelas que você tem intensão de fazer. Você também pode olhar para índices, como IPCA, Selic ou CDI. Se a aplicação render menos que os juros da operação, pagar à vista pode ser vantajoso do que parcelar.

Então, quando parcelar é melhor?

Os descontos para pagamento à vista costumam ser vantajosos, pois as taxas de juros de financiamentos são altas no Brasil, especialmente para as pessoas físicas. Mas o desconto pode não ser suficiente para tornar o pagamento à vista mais atrativo que o parcelamento.

Então para saber quando parcelar é a melhor opção, considere uma compra de 10 mil reais, parcelados em 18 vezes, “sem juros”, de 556 reais. Se for concedido um desconto de apenas 3%, o parcelamento será mais vantajoso. O valor à vista dessa operação seria de R$ 9.700. Considerando os valores absolutos, parece um desconto interessante. Mas 3% é muito pouco nesse caso. A taxa de juros dessa operação será de 0,32% ao mês, se não houver pagamento de entrada, e de 0,37% ao mês, se a primeira parcela for paga no ato da compra.

Ambas as taxas são bem menores que o rendimento da poupança e de outras aplicações conservadoras. Em suma, valeria mais a pena deixar o dinheiro rendendo e ir pagando aos poucos. O mesmo raciocínio vale para calcular se são interessantes os descontos dos tributos oferecidos pelos governos estaduais, como IPTU e IPVA. No caso do imposto de renda, é ainda mais simples, pois o governo deixa claro que o parcelamento tem juros. E são salgados, pois equivalem à taxa básica de juros (Selic) do período, ou seja, para o parcelamento valer a pena financeiramente, o contribuinte precisa ser capaz de ganhar, líquido de impostos e taxas, mais do que a Selic em uma aplicação financeira, tarefa nada trivial.

Por fim, ter total controle de seus ganhos, gastos e investimentos para que a decisão entre parcelar e comprar à vista seja sempre a mais acertada possível. E lembre-se de sempre questionar a real necessidade de comprar o que você está comprando neste exato momento. Em alguns casos, a decisão não é necessariamente parcelar ou não, e, sim, comprar ou não.

Fonte: Priscila Battistella
Economista e consultora financeira
(54) 98415-1550