Dezembro começou. O último mês do ano é sempre atípico na rotina. São inúmeras as atividades, muitos encontros, despedidas e encerramentos. Em dezembro somos forçados a conseguir de alguma forma ressignificar o tempo. Somos capazes além de realizar nossas atividades diárias, ainda inserir tempo para compras, festas e comemorações.
Sem falar, que é também considerado um período marcado por emoção e avaliação. Mesmo com grande correria nos pegamos em algum momento avaliando como foi o ano, o que fizemos e o que deixamos de fazer.
Trata-se de uma época festiva onde para muitos é a oportunidade de reencontro na casa dos pais, dos avós, de parentes, ou até mesmo de conectar-se consigo mesmas. Tudo isso de alguma forma ganha amplitude e é no fim do ano que os relacionamentos de forma geral, incluindo os familiares passam a ser observados de uma forma diferente.
Se para maioria, as festas de fim de ano vêm com propósito de momentos agradáveis e significativos. Para alguns, no entanto, elas podem resultar em mais angústia e dor do que alegria devido as dificuldades de interações sociais com outras pessoas, incluindo para muitas as próprias relações familiares.
Então como lidar com a família durante as festas?
Não são raros os casos de pessoas que relatam que é na noite de Natal que as famílias brigam, ou passam mais tempo divergindo uns dos outros do que confraternizando. É comum que ao longo do ano se mantenha mínimas rotinas em busca do equilíbrio, físico e emocional: cuidados básicos de saúde como alimentação e rotina de sono, cumprimento de prazos e trabalhos, controle sobre excessos de festas, álcool entre outros.
Quando o final de ano se aproxima e algumas situações como recesso no trabalho, ou férias acontece, por vezes acontece também que as pessoas se autorizem a fazer outros recessos, inclusive no autocuidado. Neste período, costumamos exagerar em tudo. Comemos e bebemos mais, dormimos menos e nos dividimos e multiplicamos para dar conta da agitada agenda de final de ano. Tudo isso causa cansaço, fadiga e a sensação de que os dias estão passando rápido demais.
Emocionalmente, é em dezembro que estamos também mais expostos nas relações sociais. É muito comum que se tenha postura diferentes de acordo com o ambiente, na festa da empresa, outra na festa da academia ou na confraternização com os amigos. O natural é que na hora em que chega a vez da festa da família, com quem amamos e nos conhece desde sempre, exista uma tendência se comportar mais à vontade e agir naturalmente. Controlando menos a impulsividade. É justamente aí que pode começar o problema. Chegamos para a noite de Natal com marcas do exagero físico e emocional que dezembro pode proporcionar e querendo um pouco de liberdade. Você chega assim, mas todos os seus familiares também. Com mais liberdade, é muito comum que comecem as trocas de indiretas, os comentários indesejados ou a realidade difícil de ver que o familiar que você tanto ama tem pensamentos totalmente contrários ao que você acredita.
Priorizar o autocuidado é se preservar. Preserve seu corpo para que você esteja com mais disposição e preserve seu emocional para que você consiga lidar com esta troca que pode ser estressante. Se você deve a alguém um pedido de desculpas? Há algo que você gostaria de resolver com um membro da família que vai encontrar nas festas? O encontro antecipado com uma pessoa com quem você se “choca”, especialmente se for feito de forma sincera com conexão emocional, pode ajudar bastante a aparar as arestas.
Outra forma de resolver problemas antes da festa é ter clareza do que pode acontecer nessa reunião. Se as conversas na família invariavelmente se transformam em trocas hostis, quando envolvem assuntos delicados como política, religião, hábitos ou até mesmo outras relações familiares, uma dica é evitar estes assuntos. Prepare-se antes para se desviar das iscas e evitar o início de discussões, isso pode deixar os momentos mais agradáveis e manter a família conectada em assuntos bons e mais importantes, como por exemplo, como foi o ano para cada um, que desafios enfrentou, que aprendizagens teve, entre outros.
Embora não possamos controlar os outros, podemos controlar nosso próprio comportamento e influenciar o resultado de nossas interações. Dizer coisas ofensivas não é justificável só porque alguém também está dizendo para você. Manter o respeito é sempre uma escolha inteligente.
O fim de ano serve como uma oportunidade para celebrar nossa conexão com as pessoas que amamos. Quando falamos em relacionamento familiar, isso inclui ter que se relacionar com pessoas que você ama muito, outras que você apenas tem simpatia, e outras pelas quais você não gosta tanto. Somos nós que escolhemos como queremos passar estes momentos. Lembre-se sempre de que você pode estar desperdiçando momentos incríveis por discussões infundadas.
E mais ainda, se você se sente neste momento psicologicamente frágil para a troca com os familiares, pode ser um sinal de que você precisa resolver algumas questões internas. E que isso pode ser feito já no começo do próximo ano, para que no fim de ano seguinte você possa encarar as festas e a família de forma mais tranquila, harmônica e feliz. Até mesmo descobrir a sua forma de festejar!
É importante lembrar que, passar as festas de final de ano em família nem sempre serve para todos, existem aqueles que preferem passar sozinhas, ou com outras pessoas, como os amigos. Passar o natal em família não deve ser uma obrigação, o importante é fazer o que lhe faz bem e estar com as pessoas que te fazem feliz.
Fonte:
Angela de Souza Garbin
Psicóloga – CRP 07/20522
(54) 99191-6694



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