Atualmente vive-se no mundo do touch, das curtidas e comentários, o que, para muitos, representa o ser bem-sucedido. A partir desse entendimento, não é difícil perceber que nas redes sociais existe, muitas vezes, a impossibilidade de mostrar como verdadeiramente se é, ou seja, nas redes sociais mostra-se o que se quer que seja visto, mostra-se uma falsa realidade, apresentada com o objetivo de obter curtidas, comentários ou seguidores.
Existe a hipótese de que esse quadro atual pode ter como causa uma geração marcada pelo narcísico (em termo popular: necessidade de sentir-se apreciado). Muitos psicólogos investigam se essa atitude está ou não relacionada a uma educação parental que supervaloriza os filhos e que retira a importância das frustrações, o que levaria a essa situação de sentir-se ou querer ser o centro das atenções. Afinal, ser “tudo” para alguém (como acreditamos, ainda bem pequenos ser para nossa mãe) é um fardo um tanto pesado. Por outro lado, alguns, seguem com a falsa ilusão e com o fascínio do papel narcísico, almejando um modelo inatingível de perfeição.
É preciso entender que essa “necessidade” narcísica, acrescida ao uso das redes sociais, estabelece um padrão, muitas vezes, enfatizando o se sentir grandioso e admirado. Isso acaba por se refletir também na falta de empatia, na necessidade de receber muitos comentários e curtidas e na inserção da falsa realidade que os meios midiáticos demonstram e produzem.Quando em exagero, essa falsa realidade e essa necessidade narcísica podem ficar atreladas à dependência dessas curtidas e comentários. Surge, assim, um sentimento de vazio quando as publicações não apresentam os números esperados, além de gerar comparações entre o modo como se vive e se sente a vida, o que acaba também por agravar os sintomas de ansiedade e depressão, tão comuns nos dias atuais.
É importante ressaltar que os meios midiáticos não podem ser apontados como as verdadeiras causas de tais quadros (ansiedade/depressão), já que cada ser humano é dotado de um mundo interno/psíquico que é sempre singular, mas a mídia pode agravar esses sintomas.Outra questão que precisa ser mencionada é que a palavra narcisismo é utilizada, no senso comum, de maneira pejorativa, pois supõe a necessidade de ir em busca de sentir-se apreciado. Para a psicanálise, porém, trata-se de um aspecto fundamental na constituição do sujeito. Sabe-se que um tanto de amor por si é necessário para o fortalecimento do nosso ego, para sustentar a autoestima, para podermos enfrentar os desafios diários vida. Sabe-se também que esse tanto de amor por si é consequência de ser amado primeiramente por um outro: o outro que me amou e que me ensinou a me amar.
Enfim, o que tem preocupado muitos estudiosos é se o uso das redes sociais em exagero estaria conectado a uma necessidade de aceitação pelos outros e da busca de satisfação consigo, que, talvez, indique uma falha ou falta narcísica. Desse modo analisa-se o quanto esse uso colabora com os sintomas de ansiedade e depressão tão presentes nos dias atuais.
Bruna Bona Goelzer
Psicóloga Especialista em Orientação Analítica
CRP 07/24797
Telefone: (54) 99190-3773



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