Bem-estar

Isolamento social pode deixar crianças ansiosas e agressivas. Como os pais podem agir?

23 de março de 2021

Uma pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Federação das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia informa que 88% dos pediatras perceberam alterações no comportamento das crianças durante a pandemia. A pesquisa fala em oscilação de humor como a principal mudança (75% dos médicos). Relatos informam que a criança acorda com um tipo de humor. Depois logo já se transforma. Com pontos de ansiedade, agitação, insônia, principalmente agressividade, entre outras características.

Devemos entender que as crianças estavam acostumadas a correr, brincar, pular e saltar em ambientes abertos e rodeadas de amigos e colegas, as crianças têm sentido os efeitos de ficar o dia inteiro dentro de casa nesse período de isolamento social. Longe da escola, da creche, dos parques e das praças, das casas de amigos e parentes e de outros ambientes a que estavam habituadas.

A psicóloga Michele Daré Mignoni, com foco em crianças e orientação de pais, reforça que é preciso estarmos atentos e entender que o cenário é de mudança. Então mais do que nunca o acompanhamento de perto e a presença dos pais são fundamentais para a educação desse filho. Crianças que jogam brinquedos, quebram objetos, batem em outras crianças (irmãos, primos), tentam bater nos pais, bate nela mesma, gritam e chutam são alguns exemplos de crianças que apresentam comportamentos agressivos.

E o que deve ser feito no momento em que acontece esses comportamentos? Os pais devem primeiramente observar quando isso acontece, o que desencadeia esse comportamento. Uma frustração? Uma recusa dos pais? É preciso compreender o que leva a criança a agir de tal forma. É necessário também que os pais observem como eles reagem quando o filho está sendo agressivo, o pai/mãe grita com a criança? É rígido? Ou agressivo também? É importante atentar-se a isso, pois as crianças agem também de acordo com os modelos.

A intervenção dos pais deve ser tranquila, com o intuito de ensinar. É fundamental que os pais pontuem ou nomeiem o que a criança está sentindo (raiva, frustração, tristeza) para que ela compreenda o porquê de ela estar agindo daquela forma, para que, aos poucos, ela consiga expressar esses sentimentos de forma verbal, e não por atitudes agressivas. Também é importante que os pais sempre conversem e pontuem esses sentimentos para a criança todas as vezes que a criança agir assim, pois é preciso ter consistência nas ações para que a criança aprenda. Por exemplo, a criança quer comer um doce antes do almoço, você não permite e por isso ela começa a quebrar ou atirar objetos, você pode intervir da seguinte forma: “Meu filho, sei que você está triste e chateado por não poder comer o doce, vamos guardar ele e vamos almoçar, depois disso você pode comer esse doce de sobremesa, está bem? Combinado?”

Dessa forma a criança entenderá o que está acontecendo, porque você disse um não e até mesmo o que está sentindo naquele momento. É igualmente significativo que os pais tenham um vínculo bom com essa criança, sejam pais presentes, que brincam, doam seu tempo à criança e é indispensável que os pais elogiem os filhos quando o seu comportamento está adequado, quando eles não agem com agressividade diante das frustrações: 

“Nessas situações, em que a criança está agindo bem, sem maus comportamentos, é preciso que os pais elogiem e ressaltem isso, para que a criança se sinta valorizada quando faz as coisas certas. Porém, se a criança, após essas intervenções, continuar apresentando esses comportamentos agressivos é preciso a ajuda de um profissional. O apoio psicológico é fundamental nesses momentos! Com a psicoterapia, é possível desenvolver habilidades socioemocionais nas crianças e a segurança dos pais para que consigam agir da melhor forma diante desses desafios. Além disso, ela auxilia na melhoria da comunicação e relacionamento entre pais e filhos”, comenta a psicóloga.

Fonte: Michele Daré Mignoni – Psicóloga – CRP 07/32169 – Telefone: (54) 99109-2300