Bem-estar

Luto infantil

14 de novembro de 2019

A criança que não fala, não conhece a morte, conhece a ausência. Guite Guéria

A morte de um dos pais é uma das experiências mais assustadoras e impactantes que a criança pode vivenciar. Isso significa, que ela também fica enlutada diante da perda de seu mundo presumido: aquele em que ela vivera até então, protegida e amparada pelo amor dos pais.

Nosso mundo presumido é tudo o que temos. Muito do trabalho de reaprendizado e adaptação que se segue após uma perda importante é conhecido como elaboração do luto. A criança necessitará de paciência, atenção e carinho das pessoas com quem convive. Precisamos lembrar que quem cuidará dessa criança também será uma pessoa enlutada (avós, pai ou mãe, tios). Todos estarão em um processo de organização interna e adaptação emocional. A criança necessitará de um ambiente acolhedor que ofereça segurança, garantindo que ela será cuidada, mantendo suas rotinas e evitando mudanças.

As informações sobre o ocorrido devem ser imediatas, verdadeiras e contínuas. Não há problemas em dizer “não sei” a algumas perguntas. É preciso tolerar o sofrimento da criança e as manifestações de luto (choro, isolamento, indiferença, comportamento agressivo ou regressivo, ansiedade em situações de separação), abrindo espaços para expressões e sentimentos, mantendo o falecido nas lembranças e incluindo a criança no luto da família. Isso faz com que a criança perceba que a morte não foi um abandono, que ela não é culpada e que a pessoa falecida não pode voltar. Os sentimentos de desamparo, medo, ansiedade, rejeição e raiva são amenizados quando a criança encontra, nesse momento, um ambiente forte, acolhedor e seguro.

Outra atenção que se deve ter é o de não colocar a criança no lugar do falecido (geralmente quem faz isso é o adulto), na ausência da mãe, é a criança que cuida dos irmãos menores, no lugar do pai, é a criança que passa a dormir com a mãe ou então, “você agora é o homem da casa”.

Ao notar que sintomas estão agravando ou os cuidadores responsáveis estão sobrecarregados pelo próprio luto e, portanto, indisponíveis para criança, a rede de apoio poderá estar se tornando insuficiente, é hora de procurar ajuda profissional.

Fonte: Zulmira Regina Puerari Pan – Psicóloga clínica – CRP 07/21386 – (54) 3045-3223