Bem-estar

Luto infantil

9 de abril de 2021

Um ano passou e continuamos na pandemia. Até agora muito tem se falado sobre o luto, a dor e o sofrimento do adulto. E as nossas crianças, como estão se sentindo? Reagindo? Todo o cotidiano, seu mundo presumido, que dá segurança às crianças, foi alterado. Elas não veem os amigos da escola, não socializam com parentes e vizinhos fisicamente. Às vezes não foi só a morte que chegou à sua família, foi também a perda do emprego dos pais, a situação socioeconômica que diminuiu e, em algumas vezes, surgiu a violência dentro de casa. As crianças tem muita dificuldade de expor o que sentem e são renegadas nesse processo de luto pelos adultos, por acreditarem que elas sofrem menos, pois as crianças não entendem o que está acontecendo ou que podem esquecer mais rapidamente pelo fato de brincarem e não expressarem seu sofrimento por palavras.

A perda de uma pessoa amada é uma das experiências mais intensas e dolorosas que o ser humano pode sofrer. É penosa não só para quem experimenta como também para quem observa o sofrimento do outro. As informações sobre o ocorrido devem ser imediatas, verdadeiras e contínuas. Não há problema em dizer “não sei” a algumas perguntas. É preciso tolerar o sofrimento da criança e as manifestações de luto (choro, isolamento, indiferença, comportamento agressivo ou regressivo, ansiedade de separação, problemas para dormir), abrindo espaço para expressões e sentimentos, mantendo o falecido nas lembranças e incluindo a criança no luto da família, fazendo com que ela perceba que a pessoa falecida não pode voltar.

Podemos perceber, então, a importância de não excluir as crianças das visitas, quando a família ou amigos vierem confortar os adultos enlutados. O distanciamento ou o silêncio ensinam as crianças que a morte é um assunto tabu. As crianças precisam aprender a lidar com a perda, e não serem protegidas da tristeza.

Os sentimentos de desamparo, medo, ansiedade, rejeição, abandono ou raiva são amenizados quando acriança encontra, naquele momento, um ambiente forte, acolhedor e seguro, garantindo que ela será cuidada e que a rotina não será alterada. Precisamos lembrar que quem cuida dessa criança também será uma pessoa enlutada (avós, pais, tios, irmãos). Todos estarão em um processo de organização interna e de adaptação emocional.

Ressalta-se a importância da comunicação direta, de modo que a criança sinta que será apoiada e protegida. Deve-se também oferecer à criança o direito de participar dos rituais fúnebres, nem que seja por alguns minutos. O corte entre a vida e a morte é necessário para a elaboração do luto.

Ao perceber que os sintomas estão se agravando ou que os cuidadores responsáveis estão sobrecarregados pelo próprio luto e que, portanto, a rede de apoio está se tornando insuficiente, é hora de procurar ajuda profissional de um psicólogo.

“No luto, saudade é o amor que fica.”

Fonte: Zulmira Regina Puerari Pan
Psicologia clínica e tanatologia — CRP 07/21386
Telefone: (54) 3045-3223