Bem-estar

Luto pela figura paterna

11 de agosto de 2021

Vários acontecimentos podem antecipar o confronto com a morte, sendo dos mais penosos, sem dúvida, a perda de alguém que nos é importante. Infelizmente, a pandemia fez com que esse encontro, trouxesse o processo de luto paterno para o interior de muitas famílias, de forma abrupta e/ou penosa. Atualmente, a morte transformou-se em show explorado pela mídia. Paradoxalmente, no âmbito individual, ela permanece como um tabu, ou seja, vê-se muita morte na TV, de uma morte espetacular, mas de pessoas desconhecidas. O que continua difícil é falar daquela morte que nos atinge, íntima, de nossos entes queridos ou até da nossa própria morte.

Vamos falar aqui sobre a perda da figura do pai, a importância de perceber o impacto que essa morte provoca no sistema familiar, pois a figura paterna, geralmente, é quem faz a família se sentir segura e protegida. Desde os tempos antigos, a figura paterna representa um patamar imprescindível. A sociedade sempre se desenvolveu de forma paternalista, na qual o pai tinha por dever o de trazer o sustento da casa, a tomada de decisões e a estabilidade familiar, determinando assim a mãe como a figura afetiva. Nesse contesto simbólico, o papel do pai é tão importante quanto o da mãe.

O processo de luto não só varia de pessoa para pessoa, como também depende da faixa etária. Há uma interrupção da rotina de uma família, que precisará aprender que nunca mais será a mesma após a morte do pai. Dessa forma, as crianças e os adolescentes têm características próprias de sentir e de vivenciar o luto. Nessa faixa etária, o processo de elaboração da perda de uma figura parental faz-se em um maior espaço de tempo que no adulto, ou seja, a criança pode voltar a sentir falta desse pai na adolescência e o adolescente na fase adulta, sendo que algumas mudanças de comportamento podem estar ligadas a esse luto e, que muitas vezes, passam despercebidos na época do ocorrido.

Por isso, é importante que a criança e o adolescente façam parte do luto familiar, por esse pai falecido, pois o que ocorre habitualmente é que a família tenta protegê-los da dor, como se isso fosse possível. O papel do pai sempre foi considerado central na constituição do sujeito e sua presença indispensável para o desenvolvimento saudável da criança, para que na fase adulta, ela não desenvolva possíveis distúrbios psicológicos. É importante falar das emoções, dos medos e das angústias.

Como cada família vai vivenciar isso, sempre será de forma bastante particular e peculiar, mas é bom ressaltar que estejam atentos a todas as expressões emocionais e alterações comportamentais. O apoio de terapeutas e/ou profissionais da saúde podem ser essenciais, ao oferecer uma escuta amorosa e paciente, o apoio e a atenção necessária, auxiliando nos processos de nomeação, elaboração e ressignificação dos fatos vividos.                                                      

Fonte: Zulmira Regina Puerari Pan
Psicóloga clínica – CRP 07/21386 – (54) 3045-3223