Bem-estar

MÃES DE ESTRELINHAS

28 de abril de 2023

Eu sei que muitas mulheres passam pela mesma situação que eu. Tenho 50 anos, casada há 12, vivo um casamento muito feliz, graças a Deus. E talvez porque me veem feliz, somado à nossa cultura, é quase impossível não ouvir as pessoas comentarem: “Ainda não tem filhos?” “Ah, mas ainda dá tempo…” “Não pensam em adotar?” “Um filho dá novo sentido à vida” …

Eu sempre amei crianças e adolescentes. Então parecia natural que eu fosse mãe. Não vou abordar os motivos de querer ou não ter filhos, meu intuito aqui é falar sobre nós mulheres, que tivemos perdas. Pouquíssimas pessoas do meu convívio sabiam (até hoje) que eu passei por abortos. Até pouco tempo eu pensava que era melhor esconder, especialmente de mim mesma. Doía muito relembrar. Inúmeras vezes imaginei como seriam seus rostos, o que gostariam de estudar, quais seriam seus dons, nossos passeios, se seríamos muito amigos, companheiros, quais ensinamentos eu lhes transmitiria…

A dor que seu sentia se potencializava quando eu pensava em meus filhos como perdas. Agregado a esse sentir, ressoavam tristezas, desmerecimento, desvalorização, carências, medos, impotência e fraqueza. Emoções que me colocavam para baixo e levavam para o fundo do poço a minha autoestima e minha autoconfiança. Logicamente, isso refletiu na prosperidade de toda a minha vida adulta.

Porém, sempre temos novos caminhos a percorrer. E nessa Jornada me deparei com conhecimentos da Constelação Sistêmica, de Bert Hellinger. Isso mudou tudo! Os conhecimentos de Hellinger, nos sugerem que olhemos cautelosamente para a nossa vida, e que nos ajustemos nos encaixando em algumas leis, que ele chamou de Ordens do Amor. São elas: A lei da Hierarquia, a lei do Equilibro e a lei do Pertencimento. A lei que se refere ao assunto aqui abordado é especialmente a do Pertencimento. O pertencimento é um sentimento inerente ao ser humano, portanto, a sua falta gera desequilíbrio na nossa estrutura. Todos os seres tem o direito de pertencer, de serem reconhecidos, valorizados dentro do nosso sistema, de ocuparem um papel, de terem um lugar na história. Ninguém, definitivamente, deve ser excluído. Enquanto houver a exclusão, haverá faltas, carências e sentimentos negativos. Além disso, Bert também nos ensinou que, quando alguém é excluído, essa energia, ou situação, passa a ser vivida por outros descendentes da nossa família, do nosso clã, repetindo um padrão que não foi anteriormente solucionado.

O que fazer então? Acolher. Aceitar. Amar. Compreender.

Portanto, hoje eu sei que não os perdi. Eles viveram em mim nesta vida terrena por algum tempo. E ainda fazem parte do meu ser e assim permanecerão. Eu os vejo. Os abençoo. Os liberto e me liberto, para que possamos prosseguir nossas jornadas em paz, mesmo que em dimensões diferentes. Sim, sou mãe de estrelinhas. Se eles estivessem presentes aqui nesta dimensão, talvez vivêssemos tudo que eu já imaginei. Mas é preciso permitir soltar, com o meu amor, fazendo parte da minha evolução, sabendo que eles têm um lugar em mim, na minha vida, que pertencem a minha história, eles têm um pouco de mim e eu um pouco deles. Assim é, assim se faz a Lei do Amor e o equilíbrio da vida.

Fonte:
Gabriele Lima
Psicoterapeuta Integrativa
Medicina Germânica
(54) 99706-8562
Instagram: @gabriele.lima.terapeuta