Bem-estar

Namoro em tempos de isolamento social

15 de junho de 2020

Temos quase três meses decorridos desde as primeiras atitudes das autoridades para que se iniciasse o isolamento social como medida necessária para a minimizar da transmissão do coronavírus. O que no princípio foi recebido com surpresa, ou mesmo com euforia para alguns — afinal não era preciso ir trabalhar, não teria aula, aquela reunião indesejada seria cancelada –, com o passar dos dias as pessoas foram tomadas de preocupação. Assim, a escalada de números aumentando, de casos confirmados e de mortes, somou-se às preocupações sobre o retorno ao trabalho, aos salários cortados, às demissões.

A cada dia percebemos um novo segmento afetado pela pandemia: houve a crise entre os tradicionalistas, com CTGs fechados, músicos sem poder tocar nos bailes, garçons (trabalho extra de muita gente) sem locais para trabalhar, taxistas sem passageiros na noite e por aí afora. Também, houve crise nos restaurantes e bares, impedidos de atender os clientes, nos hotéis e motéis, nas lojas de chocolate, das massoterapeutas. Então, como previu o Maluco Beleza, a Terra parou! Mas houve um setor que sofreu um baque muito forte, o do coração. E não me refiro aos cardiologistas, mas aos apaixonados.

Estamos em junho. As intervenções isoladoras começaram logo no início do ano letivo, passaram a Páscoa, o feriado de Tiradentes ficou quase despercebido, muitas famílias ficaram distantes no Dia das Mães, mas, e como, será o Dia dos Namorados? Como estarão aqueles que recém iniciaram um namoro? Ou mesmo para os que estavam por terminar o relacionamento? O isolamento curou feridas? Aproximou? Afastou?

O fato é que estamos em uma situação anômala, para a qual precisamos encontrar soluções devido a uma série de acontecimentos inéditos. Qual casal que nunca pensou ou mesmo deu um tempo para o namoro? E agora, com o tempo que a covid-19 nos deu, o que fizemos com ele? Deveríamos aproveitar é para nos vingarmos, no bom sentido. Explico: na mitologia, Cronos, o deus do tempo, devorava os próprios filhos (engolia-os) a cada nascimento. Se Cronos nem os filhos poupava, o que esperarmos do tempo para conosco? Vamos é matar tempo, deixar as coisas acontecerem! Então, às vésperas de uma data que apela para o amor, para a cumplicidade de uma relação afetiva, que possamos aproveitá-la da maneira como se nos apresenta, que possamos crescer ante a dificuldade, que possamos olhar para essa realidade indesejável com a segurança de que, logo ali adiante, estaremos brindando o valor de ser persistente.

Amar é tudo isso e muito mais, e o amor precisa desses momentos para se fortalecer. Gosto do ditado que diz que mar calmo nunca fez bons marinheiros, afinal, é fácil estar junto nos momentos de saúde, de festas, de divertimento, mas quando o mar se agita é que são elas! A pandemia vai passar, como nos sentimos ante ela também, porém, o que sentimos pela pessoa amada independe de data, sobreviverá, pois o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Tá lá, escrito por Paulo. Amemos.

Fonte: César A R de Oliveira
Psicólogo – WhatsApp 99981 6455

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