Bem-estar

NEM TANTO AO CÉU, NEM TANTO AO MAR

23 de março de 2021

Gosto desse ditado, sua mensagem é muito clara e objetiva: na vida devemos encontrar um meio termo, um ponto de equilíbrio em tudo. Na cultura budista o caminho do meio – em uma das interpretações — é o de agir com prudência para evitar-se extremismos, é a prática da moderação. Por sua vez, na mitologia greco-romana, vamos encontrar o mito de Dédalo e de seu filho Ícaro. Como eles haviam sido aprisionados na ilha de Creta pelo rei Minos, eles constroem armações (asas de madeira) e as forram com penas de pássaros coladas com cera de abelhas, pois planejavam fugir voando, já que a terra e o mar eram vigiados. A fuga somente poderia ser feita pelo alto. As asas funcionaram e Dédalo, prudente, aconselhou a seu filho que não voasse tão baixo, ao alcance das ondas do mar, e nem tão alto, próximo ao sol. Entusiasmado por voar como os pássaros e admirado com a sensação de liberdade, no ímpeto de sua juventude, Ícaro ignorou o conselho do pai e voou cada vez mais alto e a cera de suas asas acabou por derreter, desprendendo as penas das asas. A queda foi inevitável e o empolgado rapaz desapareceu no mar, na região hoje conhecida como Icária. 

Histórias à parte, como estamos nos comportando em tempos de pandemia? No Brasil, o mês de março marca oficialmente a primeira morte decorrida pela Covid 19, há um ano. Susto, medo, frustrações, decepções, sonhos esboroados, prejuízos sociais, financeiros, afetivos, mortes, quantos acontecimentos. No relato, o sábio conselho paterno, de que o filho soubesse suportar o momento da fuga (passageiro, como a pandemia), não foi seguido pelo filho. Ícaro, no encanto com a possibilidade de voar como os pássaros e pela liberdade que se construía, irresponsavelmente, precipitou-se à morte. Quantas vezes temos culpados os jovens por aglomerações desaconselhadas em tempos de pandemia? Como lidar com essa impetuosidade?

Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo já nos dizia o poeta. Mas como encontrar esse ponto de equilíbrio? A tradição chinesa nos brinda com o muito conhecido círculo (preto & branco) que contém a dualidade Yin e Yang. Para os chineses, o mundo é composto por essas forças opostas e achar o equilíbrio entre elas é essencial. Tanto o que é demais quanto aquilo que é de menos fere esse princípio.

Em tempos pandêmicos, novos levantamentos apontam para um aumento em 17% no consumo de medicação utilizada para tratamentos de ansiedade no Brasil. Essa é mais uma das tentativas para se buscar o equilíbrio emocional.

Fiquemos com a sabedoria de Dédalo, pois ignorar o momento coletivo em que vivemos é tão insano quanto superestimá-lo a ponto de nos paralisarmos. Se não temos a liberdade de circularmos em viagens ou visitas; se não podemos nos reunir com familiares e amigos como gostaríamos; se por mais discreto que seja o encontro que queremos, e ele se caracterize como aglomeração que possa representar riscos, vamos nos conter.

O ponto de equilíbrio que poderá nos manter saudáveis (e aos nossos) passa, obrigatoriamente, pelo amor a si mesmo e ao próximo. Se a ordem dos fatores não altera o produto, isso não é uma lei divina? Ame-se!

Fonte: César A R de Oliveira – Psicólogo – WhatsApp (54) 99981-6455

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