Bem-estar

O novo normal é mesmo normal?

6 de outubro de 2021

Minha mãe sempre conta que durante a gestação a grande preocupação dela, antes mesmo de ver meu rosto, era se eu teria todos os órgãos, seu eu era “perfeitinha”, fisicamente falando.

A saúde física é, de fato, essencial para tudo. “Tendo saúde, o resto a gente dá um jeito!” – Quem nunca ouviu tal expressão?

Dia 10 de Outubro, porém, foi a data escolhida para comemorar um outro viés da Saúde, que faz parte do todo, mas que nem sempre percebemos e damos a devida atenção: a Saúde Mental.

Quantas vezes você já parou para atentar à esta questão?

Normalmente só pensamos nisso quando começamos a sentir o peso de algum tipo de desequilíbrio, seja ele estresse, tristezas, irritabilidade, exaustão.

O Ministério da Saúde está realizando uma Pesquisa, reunindo informações sobre a saúde mental do brasileiro durante a pandemia da Covid-19. Foi verificado elevado índice de ansiedade (86,5%) e uma moderada presença de transtorno de estresse pós-traumático (45,5%). Estes dados são resultados da análise de 17.491 indivíduos com idade média de 38,3 anos, a maioria do sexo feminino (71,9%), segundo divulgado no site deste Ministério.

Como cidadã, estou sempre em busca de formas de contribuir o máximo possível para o bem coletivo, usando da ferramenta mais básica que temos, porém nem sempre utilizada: a benevolência.

Já numa visão mais aprofundada, como Psicoterapeuta, ressalto que é necessário um olhar mais direcionado e aguçado, especialmente em relação ao que “ingerimos” mentalmente.

Temos presenciado também, além da pesquisa citada, adultos com crises existenciais, aumento do suicídio, violência doméstica, jovens alheios à toda informação existente e condicionados ao pensar da “onda da sofrência” ou do vale tudo das letras de Funk. Novamente volto a nossa atenção ao que estamos internalizando.

Ainda hoje, vi em uma das Redes Sociais mais famosas, uma criança de uns 4 anos de idade que, sob os olhares de uma mãe orgulhosa, fazia os gestos de uma “dancinha” com uma letra totalmente obscena. Este é o novo “normal”.

Sabemos que o nosso cérebro não distingue o real do imaginário. Já é comprovado. Diante disso, o que estamos permitindo que ele absorva?

Como teremos uma sociedade mentalmente saudável, se a máxima agora é “saudade daquela sentadinha”, ou “o que é um arranhão pra quem já “tá” ferrado (a palavra exata não era esta, mas fica subentendido, ok.)”?

Não é o ritmo o problema, é a (des)informação sendo massivamente disseminada e criando uma geração inteira de pessoas que não estão preparadas para os nãos que a vida traz, além de denotar que os problemas podem ser resolvidos bebendo até cair ou, ainda, que a depravação sexual é o que há de mais normal, até mesmo para uma criança inocente.

O que vemos e ouvimos são registros que ficam no nosso subconsciente, daí a importância de direcionarmos a nossa atenção a isso. Sim, o que ingerimos mentalmente pode ser bastante indigesto a curto, médio ou longo prazo, como um alimento deliciosamente gorduroso, que vai obstruindo silenciosamente as nossas artérias.

A nossa saúde mental deveria ser tão valorizada quanto a física, afinal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas e depressivas do mundo. Será uma aleatoriedade?

E até quando ficaremos admirando a face de uma sociedade perfeitamente esculpida dos pés à cabeça e com uma mente doente?

Fonte: Gabriele Lima
Psicoterapeuta holística
Mestre de Reiki – CRTH-BR 10603
(54) 99706-8562