Uma menina de 13 anos, tímida, insegura, muito magra, subia as escadarias da sua nova escola. Com os joelhos trêmulos, ela não sabia o que iria encontrar do lado de dentro do portão.
Mesmo assim, ela entrou, de cabeça baixa, passando lentamente pelos colegas da sua nova escola, rezando para não ser notada. E nem precisaria, pois ninguém a notava mesmo – era o que ela pensava.
Seus cabelos “a la Chitãozinho e Xororó” (básico nos anos 80), não contribuíam para que ela fosse percebida em meio a tantas outras meninas, com seus belos e longos cabelos.
Ela nunca tinha ouvido falar sobre autoestima, portanto nem pensava nisso. Mas já tinha sentimentos sobre si, que a incomodavam profundamente.
Queria ser como a menina mais “descolada” e popular na escola, mas não chegava nem perto. Adoraria saber falar em público e não ficar um pimentão, mas não conseguia nem responder direito à chamada. Se imaginava nas rodas de amigos, mas não tinha coragem, nem assunto, para se entrosar e ficava sozinha.
Essa menina era eu. E esses sentimentos perduraram por muitos anos, me levando além de sentir as dores e conflitos adolescentes, a cometer erros, que deixaram cicatrizes profundas.
Resguardadas diferenças de época, moda, cortes de cabelos, quantos adolescentes você conhece que podem estar se sentindo assim?
O fato de o corpo crescer rapidamente e a mente ser forçada a se adaptar a essa fase “semi-adulta”, gera temores, inseguranças e desafios que parecem intransponíveis.
E como mudar este quadro?
Primeiramente, é preciso ter consciência de que a presença do adulto nesta fase é fundamental, mesmo que o adolescente pareça rejeitar. São crianças em transformação, num corpo adulto. E não o contrário. Portanto ainda precisam – e muito – do nosso olhar criterioso e zeloso.
Temos a incumbência de orienta-los de que esses sentimentos não são exclusivos deles, mas que acontecem com todas as pessoas. Taylor Swift, Emma Watson, Justin Timberlake, Demi Lovato, também já foram “zoados”, sofreram bullying e não tinham muitos amigos na adolescência.
Além disso, é essencial erradicar o hábito da comparação. O entendimento de que não devemos ser iguais a outras pessoas é um processo libertador – em qualquer idade. E, prestem atenção: isso começa dentro de casa. Às vezes, até mesmo entre irmãos.
Aquelas frases como: “por que você não faz como fulano?” “Os filhos da fulana já sabem o que querem ser.” “Aposto que aqueles teus amigos não erram como você.” – São verdadeiros gatilhos mentais para diminuir a autoestima.
Os assuntos deles, evidentemente não são os mesmos dos nossos interesses, mas devemos dar-lhes importância e ouvi-los com atenção. Afinal, são importantes para eles e fazem parte da construção das suas personalidades.
Estes pequenos ajustes de atitudes que devem partir de nós, adultos, evitarão a quebra do elo de confiança e farão com que deixemos a nossa preciosa contribuição para a formação de adultos mais autoconfiantes e seguros de si.
Fonte:
Gabriele Lima
Geekóloga e Mentora de Adolescentes
(54) 99676-2378



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