Destaques

O papel do adulto na autoconfiança do adolescente

15 de setembro de 2020

Uma menina de 13 anos, tímida, insegura, muito magra, subia as escadarias da sua nova escola. Com os joelhos trêmulos, ela não sabia o que iria encontrar do lado de dentro do portão.

Mesmo assim, ela entrou, de cabeça baixa, passando lentamente pelos colegas da sua nova escola, rezando para não ser notada. E nem precisaria, pois ninguém a notava mesmo – era o que ela pensava.

Seus cabelos “a la Chitãozinho e Xororó” (básico nos anos 80), não contribuíam para que ela fosse percebida em meio a tantas outras meninas, com seus belos e longos cabelos.

Ela nunca tinha ouvido falar sobre autoestima, portanto nem pensava nisso. Mas já tinha sentimentos sobre si, que a incomodavam profundamente.

Queria ser como a menina mais “descolada” e popular na escola, mas não chegava nem perto. Adoraria saber falar em público e não ficar um pimentão, mas não conseguia nem responder direito à chamada. Se imaginava nas rodas de amigos, mas não tinha coragem, nem assunto, para se entrosar e ficava sozinha.

Essa menina era eu. E esses sentimentos perduraram por muitos anos, me levando além de sentir as dores e conflitos adolescentes, a cometer erros, que deixaram cicatrizes profundas.

Resguardadas diferenças de época, moda, cortes de cabelos, quantos adolescentes você conhece que podem estar se sentindo assim?

O fato de o corpo crescer rapidamente e a mente ser forçada a se adaptar a essa fase “semi-adulta”, gera temores, inseguranças e desafios que parecem intransponíveis.

E como mudar este quadro?

Primeiramente, é preciso ter consciência de que a presença do adulto nesta fase é fundamental, mesmo que o adolescente pareça rejeitar. São crianças em transformação, num corpo adulto. E não o contrário. Portanto ainda precisam – e muito – do nosso olhar criterioso e zeloso.

Temos a incumbência de orienta-los de que esses sentimentos não são exclusivos deles, mas que acontecem com todas as pessoas. Taylor Swift, Emma Watson, Justin Timberlake, Demi Lovato, também já foram “zoados”, sofreram bullying e não tinham muitos amigos na adolescência.

Além disso, é essencial erradicar o hábito da comparação. O entendimento de que não devemos ser iguais a outras pessoas é um processo libertador – em qualquer idade. E, prestem atenção: isso começa dentro de casa. Às vezes, até mesmo entre irmãos.

Aquelas frases como: “por que você não faz como fulano?” “Os filhos da fulana já sabem o que querem ser.” “Aposto que aqueles teus amigos não erram como você.” – São verdadeiros gatilhos mentais para diminuir a autoestima.

Os assuntos deles, evidentemente não são os mesmos dos nossos interesses, mas devemos dar-lhes importância e ouvi-los com atenção. Afinal, são importantes para eles e fazem parte da construção das suas personalidades.

Estes pequenos ajustes de atitudes que devem partir de nós, adultos, evitarão a quebra do elo de confiança e farão com que deixemos a nossa preciosa contribuição para a formação de adultos mais autoconfiantes e seguros de si.

Fonte:
Gabriele Lima
Geekóloga e Mentora de Adolescentes
(54) 99676-2378