Bem-estar

O risco da hipersuplementação de vitamina D

11 de fevereiro de 2022

Com a pandemia, passou-se a estudar quais fatores predispõem à infecção pelo coronavírus e se existem formas de tratamento e prevenção. Um dos alvos dos estudos são os níveis de vitamina D no organismo, correlacionando hipovitaminose D com a gravidade dos casos de infecção pelo novo coronavírus. Acredita-se que a vitamina D tem ação na nossa resposta imune, porém, até o momento, não temos respaldo na literatura para confirmar a relação entre baixos níveis de vitamina D e gravidade da Covid-19. Diante disso, estamos presenciando um abuso na suplementação, o que causa preocupação, visto que a reposição em excesso e sem acompanhamento e prescrição médica pode trazer riscos à saúde, principalmente para os rins.

Claro que a vitamina D é essencial para o organismo. Considerada um pré-hormônio, ela é responsável pela regularização dos níveis de cálcio no organismo e, consequentemente, da saúde óssea. Porém, suplementar vitamina D sem orientação médica pode desregular o organismo e causar uma intoxicação por essa substância.

A hipervitaminose D, como é chamada essa intoxicação por vitamina D, pode desencadear uma série de problemas no organismo. Essa condição é identificada a partir da dosagem dos níveis de níveis da vitamina D e de cálcio no sangue. É importante ressaltar que dificilmente indivíduos saudáveis irão desenvolver hipervitaminose D com uma alimentação balanceada e exposição solar, sendo que a intoxicação acontece pela reposição demasiada de vitamina D.

A superdosagem dessa substância causa no organismo o que chamamos de hipercalcemia. Isso significa que, ao exceder o nível de vitamina D, o corpo também aumenta os níveis de cálcio no sangue, o que favorece o surgimento de pedras nos rins e até a perda da função renal. Além disso, o paciente com hipervitaminose D também pode ter perda óssea.

O organismo leva um tempo para apresentar os primeiros sintomas após a ingestão de uma superdosagem de vitamina D. Mas quando aparecem, é possível identificar desidratação, fadiga, perda de apetite, náuseas, constipação, fraquezas musculares e hipertensão arterial. Ao constatar algum desses sintomas, é importante que o paciente busque atendimento médico o mais rápido possível para evitar o agravamento do quadro e possíveis problemas renais.

Idosos, gestantes, lactantes, pacientes com raquitismo/osteomalácia, osteoporose, doenças inflamatórias, doenças autoimunes, doença renal crônica, hiperparatiroidismo e síndromes de má absorção (clínicas ou pós-cirúrgicas, como a bariátrica), necessitam de maior cuidado na suplementação, por isso é importante que pacientes nessas condições sempre mantenham acompanhamento médico.

É fundamental mantermos níveis de vitamina D dentro dos valores adequados, e o alvo deve ser individualizado conforme às indicações clínicas de cada pessoa. Já está claro que a suplementação com megadoses não está indicada e pode gerar complicações para a saúde. É importante que a população evite a automedicação e, se identificada a hipervitaminose D, consulte um nefrologista para investigar possíveis lesões renais.

Fonte: Gabrielli Zanotto de Oliveira
Médica nefrologista — Cremers 40860 | RQE 36874
(54) 3046-0186