Bem-estar

Obesidade para além do corpo

4 de abril de 2022

A obesidade é uma das formas mais visíveis da relação existente entre corpo e mente. Com a cobrança cada vez mais severa dos padrões de beleza, torna-se ainda mais difícil falar sobre compulsões alimentares sem relacionar com a questão estética. Em um momento em que a mídia tomou conta da rotina, não é incomum percebermos o quanto tem se falado sobre o corpo nas redes sociais, refletindo numa lógica de achar que o corpo magro é sinônimo de beleza e o corpo gordo sinônimo de desleixo, sendo que essa falsa compreensão dificulta ainda mais a busca por ajuda daqueles estão em sofrimento psíquico.

Por ser uma doença de cunho multifatorial, ou seja, que a sua aparição pode decorrer de diferentes fatores, é possível encontrar uma dimensão de extrema relevância no que tange a obesidade: o aspecto emocional. Essa é uma das doenças que estão relacionadas ao processo de somatização, em que o corpo responde à algo que não está indo emocionalmente bem. Dessa forma, podemos olhar de diferentes formas para essa situação: a presença de relações familiares disfuncionais, baixa autoestima, traços ansiosos, entre outras.

No que tange ao contexto das relações familiares é ainda mais delicado, pois requer uma série de especulações para compreender qual o significado do alimento ou ainda, compreender o que o seu consumo exacerbado quer dizer. Com isso, passamos a compreender que a principal questão não é o consumo do alimento em si, mas sim, qual a sua função nesse núcleo familiar e também para o indivíduo.

Quando pensamos em função, podemos atribuir a compulsão alimentar como uma das formas de comunicar que algo não vai bem. Ou seja, é a forma que toda a família encontrou, dentro de suas potencialidades e limitações, de denunciar que há uma conflitiva não resolvida. Por isso que quando falamos sobre obesidade em psicoterapia, o objetivo não é necessariamente encontrar formas de diminuir o peso, mas sim, encontrar formas de solucionar o conflito existente e a partir disso, desenvolver uma comunicação saudável entre todos os membros. Mesmo que nesse momento o trabalho com toda a família seja essencial para o processo de melhora, a compreensão e valorização da subjetividade e o sentimento singular da pessoa em questão, são fundamentais nessa jornada.

Por fim, é importante entender que a obesidade associada a compulsão alimentar faz parte de uma das representação do transtorno alimentar e sendo assim, a cultura também cumpre o seu papel. Com isso, vale ressaltar que uma situação familiar isolada não irá desencadear em uma doença, mas sim, a soma de fatores que podem fragilizar o sujeito e seu sistema. Portanto, ainda que ela possa ser vista de diferentes perspectivas no campo emocional, a melhor alternativa para enfrentar a doença é desenvolver um trabalho em conjunto, tanto com uma equipe multiprofissional, quanto com a rede de apoio e família desse indivíduo. Afinal, obesidade pouco tem a ver com padrões de beleza e sim, com a denúncia de um sofrimento psíquico.

Fonte:
Carolina Vieira Leite
Psicóloga – CRP 07/34578
(54) 99917-5768
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