O que o ouvido tem a ver com o cérebro?
O que perda de audição tem a ver com alterações cognitivas?
A memória pode ter relação com a audição?
Quando nascemos nosso ouvido funciona perfeitamente, temos células dentro dele (mais especificamente na cóclea) que percebem os sons e depois enviam esse som para o nervo auditivo, que “entrega” esse som para o cérebro. É quando a informação sonora chega no cérebro que nossa audição realmente acontece, é lá que entendemos, discriminamos o som e percebemos seus detalhes e nuances.
O cérebro tem habilidades auditivas que só funcionam adequadamente se as células da cóclea enviarem a informação sem “cortes”, ou seja, se houver alguma alteração no ouvido, o som chega incompleto no cérebro.
Por isso, os questionamentos do início desse artigo fazem todo sentido. Para que possamos entender e dar significado ao que uma pessoa fala, o som precisa chegar no cérebro. É ele que faz com que num local com muitas pessoas falando ao mesmo tempo, possamos entender uma por vez, mesmo com a competição sonora ou ruído presente naquele ambiente.
O cérebro faz com que possamos escolher o que desejamos ouvir, pois o tempo todo nosso ouvido está funcionando, e só focamos ou prestamos atenção no som ou na fala que nos interessa. Dessa maneira, com o aumento da longevidade e a presença de declínios cognitivos junto ao aparecimento, cada vez mais incidente, da queixa “escuto, mas não entendo”, pesquisas começaram a investigar a relação entre a Perda de Audição e as alterações na Cognição. Pois se o cérebro não recebe adequadamente os estímulos auditivos, ele pode sofrer importantes consequências.
Ao lado temos alguns exemplos desses estudos, que mostram a importância do cuidado precoce da perda de audição, em qualquer faixa etária.
Front Syst Neurosci. 2023 Oct 25:7:71. doi: 10.3389/fnsys.2013.00071. eCollection 2013.
Compensatory changes in cortical resource allocation in adults with heraring loss
Julia Campbell¹, Anu Sharma²
“Devido à forte relação entre perda de audição e déficits cognitivos, como demência, que surgem mais tarde na vida, é importante que a avaliação clínica da condição cognitiva do paciente com perda auditiva seja incluída como parte do serviço de intervenção.”
Desempenho cognitivo em um grupo de idosos: influência de audição, idade, sexo e escolaridade/Cognitive performance of a group of elders: influence of hearing, age, sex, and education
Kopper, Helen; Teixeira, Adriane Ribeiro; Dorneles, Sílvia.
Arq. int. Otorrinolaringol. (Impr.); 13(1): 39-43, jan.-mar. 2099. tab, graf
“Conclui-se que há relação entre perda auditiva e o desempenho cognitivo. As demais variáveis estudadas (idade, sexo e escolaridade) não influenciaram nos escores do teste.”
Percepção de idosos sobre a restrição da participação relacionada à perda auditiva
DOI: hhttps://doi.org/10.23925/2176-2724.2018v30i49736-747
“Os idosos com perda auditiva apresentam percepção significativa da restrição da participação, a qual pode impactar negativamente na sua qualidade de vida. A percepção da restrição de participação é maior entre os homens, na perda auditiva neurossensorial, de configuração descendente e entre os idosos que não utilizam aparelhos de amplificação sonora individual, independente do grau de restrição.”
Aspectos cognitivos e auditivos em idosos com perda auditiva e em uso de dispositivos de amplificação sonora
April 2023 . Research Society and Development 12(4):e10712440396
DOI:10.33448/rsd-v12i4.40396
“Concluiu-se que, com o envelhecimento, pior é o desempenho no rastreio cognitivo, o que pode significar um pior desempenho no teste de reconhecimento de fala no ruído. Porém, o uso do dispositivo de amplificação sonora possibilita um melhor desempenho no teste de reconhecimento de fala no ruído.”
Fonte: Lenita Quevedo
Fonoaudióloga – CRFa 7-9349
(54) 99963-4182
Instagram: @audiosmart.pf



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